Muros de Yoshiwara e as divinas de Edo

Muros de Yoshiwara e as divinas de Edo

Duzentos e cinqüenta anos de refinada arte da dinastia Tokugawa (1615-1868) formaram tempo suficiente para consolidar a estamparia japonesa como uma das mais agradáveis formas de manifestação artística de todo o mundo. Quando se tornaram populares no ocidente, há aproximadamente 100 anos, cativaram por registrarem com particular maestria os costumes de um tempo de samurais e de grandes cortesãs, com seus deslumbrantes quimonos e sua perícia nas técnicas do amor: mulheres elegantes, modelos de beleza e feminilidade numa época marcada por u’a moral dinástica e restritiva. Marcas de uma cultura que se extinguiu, mas que deixou mostras de ser incomparável. A impressão com bloco de madeira era a técnica utilizada nas estampas, feitas a mão, cujo processo de produção envolvia um desenhista, um artífice gravador, um impressor e um editor de estampas. Artistas como Hokusai e Sukenobu fizeram milhares de estampas, também usadas nos livros ilustrados contendo pequenas novelas e romances. As peças retratavam a vida, a moda, os vícios e prazeres dos que viviam na capital do Japão, Edo (hoje Tóquio); registravam o comportamento hedonista dos samurais, dos filhos dos comerciantes abastados que freqüentavam os bordéis autorizados de Yoshiwara, um enclave murado localizado na região nordeste da cidade, “que constituía um pequeno mundo com hábitos e costumes próprios”, como define Richard Illing. O teatro Kabuki e seus atores, estampas de belos animais, heróis e personagens lendários também constituíram tema para essa arte delicada que ainda hoje é considerada das mais belas da história da humanidade. A estampas reproduzidas por Artelivre foram feitas por artistas da Escola Ukiyo-e, que floresceu no século XVII. Ukiyo-e significa “pinturas do mundo que passa” – para os japoneses um mundo portador de vários significados. Um deles estreitamente associado a um conceito budista de tristeza perante a efemeridade da vida física. Mais tarde, esse sentido foi alterado, passando a significar “mundo que passa”, um conceito positivo que expressava um estilo de vida permeado de prazeres e veleidades, apologia do transitório e do fugaz. Algumas das gravuras têm conteúdo francamente erótico, mas não chegam a ser pornográficas. Boa parte dessas peças mais ousadas - com cenas de sexo, chamadas shungas, que significa quadros primaveris - são vulgares, mas há exemplares que encantam pela sensibilidade. Por Sônia Zaghettto
Download das estampas.

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Mais de 200 anos de estamparia japonesa no período Tokugawa (1615-1868) fizeram dessa arte uma das mais requisitadas do mundo.

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Duzentos e cinqüenta anos de refinada arte da dinastia Tokugawa (1615-1868) formaram tempo suficiente para consolidar a estamparia japonesa como uma das mais agradáveis formas de manifestação artística de todo o mundo. Quando se tornaram populares no ocidente, há aproximadamente 100 anos, cativaram por registrarem com particular maestria os costumes de um tempo de samurais e de grandes cortesãs, com seus deslumbrantes quimonos e sua perícia nas técnicas do amor: mulheres elegantes, modelos de beleza e feminilidade numa época marcada por u’a moral dinástica e restritiva. Marcas de uma cultura que se extinguiu, mas que deixou mostras de ser incomparável.

A impressão com bloco de madeira era a técnica utilizada nas estampas, feitas a mão, cujo processo de produção envolvia um desenhista, um artífice gravador, um impressor e um editor de estampas. Artistas como Hokusai e Sukenobu fizeram milhares de estampas, também usadas nos livros ilustrados contendo pequenas novelas e romances.

As peças retratavam a vida, a moda, os vícios e prazeres dos que viviam na capital do Japão, Edo (hoje Tóquio); registravam o comportamento hedonista dos samurais, dos filhos dos comerciantes abastados que freqüentavam os bordéis autorizados de Yoshiwara, um enclave murado localizado na região nordeste da cidade, “que constituía um pequeno mundo com hábitos e costumes próprios”, como define Richard Illing.

O teatro Kabuki e seus atores, estampas de belos animais, heróis e personagens lendários também constituíram tema para essa arte delicada que ainda hoje é considerada das mais belas da história da humanidade.

A estampas reproduzidas por Artelivre foram feitas por artistas da Escola Ukiyo-e, que floresceu no século XVII. Ukiyo-e significa “pinturas do mundo que passa” – para os japoneses um mundo portador de vários significados. Um deles estreitamente associado a um conceito budista de tristeza perante a efemeridade da vida física. Mais tarde, esse sentido foi alterado, passando a significar “mundo que passa”, um conceito positivo que expressava um estilo de vida permeado de prazeres e veleidades, apologia do transitório e do fugaz.

Algumas das gravuras têm conteúdo francamente erótico, mas não chegam a ser pornográficas. Boa parte dessas peças mais ousadas – com cenas de sexo, chamadas shungas, que significa quadros primaveris – são vulgares, mas há exemplares que encantam pela sensibilidade.

Por Sônia Zaghettto

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