Muito prazer, Waldemar Henrique

Muito prazer, Waldemar Henrique

Em 1992, Waldemar Henrique estava às vésperas de completar 87 anos. Seu sorriso suave continuava a espelhar a alma simples e doce. Naquele velhinho simpático, que andava apoiado em uma bengala e atravessava com dificuldade as ruas de Belém (PA), raros transeuntes apressados identificariam o autor de belas canções que marcaram a música brasileira nas décadas de 40, 50 e 60. Talvez por isso ele imaginasse que logo seria esquecido. Enganou-se, óbvio. O maestro faleceu em 1995 e, vinte e um anos depois, sua obra permanece viva, revisitada, pulsante. Poucos souberam traduzir com tanta sensibilidade o espírito amazônico, suas expressões características, suas lendas e crenças. Ouvi-lo hoje é viajar no tempo e encontrar a raiz amazônica em estado puro. No ano de 1992, em uma longa entrevista aos jornalistas Marton Maués e Sônia Zaghetto, Waldemar Henrique falou de sua devoção à música, das dificuldades para consolidar a carreira, de sua inabalável fé, de desapego, de direitos autorais, da relação com Villa-Lobos e da razão de não ter casado. Foi um momento nostálgico, de palavras francas e ternas recordações, em que Waldemar Henrique olhou para dentro de si mesmo e admitiu que a velhice chegara, impedindo-o de tantas coisas. Haviam passado os tempos ruidosos da juventude, época de "sassaricar aqui e ali", como dizia. Dava-se conta de que envelhecia. Refletia, então, conformado: "Os homens envelhecem como os prédios: as paredes vão descascando, as estruturas não mais sustentando". Sábio, a tudo recebia de braços abertos, sem permitir tristezas: "Está na hora de pagar esse tributo". Na entrevista, falou tranquilamente sobre a morte que se anunciava próxima e disse  acreditar, em sua lendária modéstia, que seria esquecido tão logo deixasse a vida na Terra. Enganou-se.  Waldemar Henrique viverá para sempre no coração dos que amam a música. E ArteLivre o homenageia nesta data em que se comemora os 111 anos de seu nascimento. Quer conhecer melhor o maestro, suas memórias, temores e espírito jovial? Eis a entrevista: Qual a sua opinião sobre as homenagens que lhe fazem? Gosto muito. Só que me pegam de um jeito... Não tenho saúde. Quem me dera que eu pudesse sair, brincar como antigamente. Agora já não é como antigamente. Agora já não é a mesma coisa. Agora é tudo "com licença, perdão"... Mas eu estou sempre disposto para essas festas, a esses gestos de simpatia, de bondade. Recebo essas homenagens com o mesmo élan de antigamente. Acho que são maravilhosas. Apenas não posso corresponder com a alegria que sentia antigamente. Tudo tem a sua época. Felizmente tenho a meu lado pessoas que me alegram, que fortalecem o meu ânimo. Já não canto, não danço, não namoro. Então... O senhor sente falta de tudo isso? Não. Porque tudo teve a sua vez, seu momento. Na sua idade, você não pode se negar a essas coisas, mas quando você chegar à minha idade vai dizer "chega!". Maestro, como é envelhecer? Engraçado. Só me apercebi disso agora (Ele sorri). E é bom? Eu não percebia que estava envelhecendo, mas nesse início de 92 de repente…

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Em 1992, Waldemar Henrique estava às vésperas de completar 87 anos. Seu sorriso suave continuava a espelhar a alma simples e doce. Naquele velhinho simpático, que andava apoiado em uma bengala e atravessava com dificuldade as ruas de Belém (PA), raros transeuntes apressados identificariam o autor de belas canções que marcaram a música brasileira nas décadas de 40, 50 e 60. Talvez por isso ele imaginasse que logo seria esquecido. Enganou-se, óbvio. O maestro faleceu em 1995 e, vinte e um anos depois, sua obra permanece viva, revisitada, pulsante.

Poucos souberam traduzir com tanta sensibilidade o espírito amazônico, suas expressões características, suas lendas e crenças. Ouvi-lo hoje é viajar no tempo e encontrar a raiz amazônica em estado puro.

No ano de 1992, em uma longa entrevista aos jornalistas Marton Maués e Sônia Zaghetto, Waldemar Henrique falou de sua devoção à música, das dificuldades para consolidar a carreira, de sua inabalável fé, de desapego, de direitos autorais, da relação com Villa-Lobos e da razão de não ter casado.

Foi um momento nostálgico, de palavras francas e ternas recordações, em que Waldemar Henrique olhou para dentro de si mesmo e admitiu que a velhice chegara, impedindo-o de tantas coisas. Haviam passado os tempos ruidosos da juventude, época de “sassaricar aqui e ali”, como dizia. Dava-se conta de que envelhecia. Refletia, então, conformado: “Os homens envelhecem como os prédios: as paredes vão descascando, as estruturas não mais sustentando”.

Sábio, a tudo recebia de braços abertos, sem permitir tristezas: “Está na hora de pagar esse tributo”. Na entrevista, falou tranquilamente sobre a morte que se anunciava próxima e disse  acreditar, em sua lendária modéstia, que seria esquecido tão logo deixasse a vida na Terra. Enganou-se.  Waldemar Henrique viverá para sempre no coração dos que amam a música. E ArteLivre o homenageia nesta data em que se comemora os 111 anos de seu nascimento. Quer conhecer melhor o maestro, suas memórias, temores e espírito jovial? Eis a entrevista:

Qual a sua opinião sobre as homenagens que lhe fazem?
Gosto muito. Só que me pegam de um jeito… Não tenho saúde. Quem me dera que eu pudesse sair, brincar como antigamente. Agora já não é como antigamente. Agora já não é a mesma coisa. Agora é tudo “com licença, perdão”… Mas eu estou sempre disposto para essas festas, a esses gestos de simpatia, de bondade. Recebo essas homenagens com o mesmo élan de antigamente. Acho que são maravilhosas. Apenas não posso corresponder com a alegria que sentia antigamente. Tudo tem a sua época. Felizmente tenho a meu lado pessoas que me alegram, que fortalecem o meu ânimo. Já não canto, não danço, não namoro. Então…

O senhor sente falta de tudo isso?

Não. Porque tudo teve a sua vez, seu momento. Na sua idade, você não pode se negar a essas coisas, mas quando você chegar à minha idade vai dizer “chega!”.

Maestro, como é envelhecer?

Engraçado. Só me apercebi disso agora (Ele sorri).

E é bom?

Eu não percebia que estava envelhecendo, mas nesse início de 92 de repente me senti puxado pelo peso da idade e também por certas circunstâncias desfavoráveis: a saúde vai cedendo, a vista… São vários fatores que se juntam para entristecer a gente. Mas eu não me entristeço: acho que está na hora de pagar esse tributo.

O que o senhor pensa da morte?

Bem, depende da pessoa. Há pessoas que é uma pena que tenham morrido, que nós gostaríamos que continuassem vivas para nos dar a sua contribuição e a sua cultura. Há outros que saem da vida e a gente nem lembra que existiram. Tenho a impressão que estou neste grupo.

O senhor é modesto…

Não, não me acho modesto, mas a morte é algo que tem de acontecer…

O senhor acredita mesmo que depois de morrer será logo esquecido?

Não sei. Depende…

O senhor não tem consciência exata da importância de sua obra (risos)

Eu tenho consciência de que trabalhei muito para deixar uma contribuição à nossa terra e às pessoas de Belém.

O senhor projetou a sua carreira? Acha que conseguiu o seu sonho?

Eu nunca projetei nada para mim, digo com sinceridade. Nunca programei nada pensando em mim. Sempre fiz as coisas pensando nos outros. Quando ia dar um concerto, sempre pensava no público e não no meu sucesso particular. Pensava em corresponder à expectativa do público. Era preciso que fizesse tudo bem feito. Então, ensaiava terrivelmente uma partitura para não decepcionar as pessoas que haviam se deslocado para me ouvir. Não se tratava de humildade e nem de modéstia. Tratava-se de consciência, de estar consciente de que se tem um trabalho  a fazer, uma obrigação, um propósito e amor pelas coisas. O principal é ter amor pelas coisas.

O senhor sempre quis ser músico?

Aos cinco anos, bastava ver o piano aberto e eu já batia nas teclas. Hoje, eu tenho um sobrinho que vem aqui em casa, abre o piano, começa a bater nas teclas e me lembra de mim. Ele já tem oito anos e eu tinha cinco. Minha mãe ficava falando: “Fecha esse piano!”. Mais tarde uma vizinha me estimulou a estudar e rapidamente eu aprendi, porque ela me dava duas páginas para estudar e eu aprendia logo seis. Ela me dizia: “Não vá adiante!”, mas eu ia. Para você ver o amor que eu tinha pela coisa. Depois eu viajei para Portugal e, quando a orquestra tocava no salão, eu não dormia enquanto a música não parasse de tocar, brigando com a minha babá porque eu queria ir para o salão. Quer dizer, a minha vocação estava nessas atitudes. Hoje eu vejo jovens tão assanhados pela música, pelo ritmo, e acredito que devemos compreender que eles têm vocação.

O senhor enfrentou barreiras à carreira?

Sim. Meu pai achava um desperdício que um rapaz “perdesse tempo com esse negócio de música”. Nós tínhamos um piano em casa e ele dizia: “Sai daí, piano é para moças”. Coisa de português antigo: homem não podia sentar no piano e “brincar de pianista”. Tempos depois é que ele compreendeu que era uma arte muito séria.

O senhor tinha consciência disso e por esse motivo enfrentou o preconceito?

Enfrentei sem saber que estava buscando uma coisa séria. Pensava que aquilo era uma doença, uma coisa que dá na gente e que você está fazendo não com consciência, mas porque alguma coisa lhe impele para aquilo, lhe puxa para aquela situação. Tudo o que pude estudar, em termos de ritmo, som, melodia, eu estava lá. Porque era uma coisa que me puxava, me comprometia e me animava. Eu nunca fui convencido dessas coisas, mas fui puxado, inconscientemente talvez.

Por que o senhor elegeu o piano como seu instrumento?

Porque ele estava em casa e a vizinha me ensinou a tocá-lo. Mas poderia ter enveredado por outro instrumento. No Rio de Janeiro peguei o violão e achei maravilhoso porque o violão é um piano que a gente carrega no colo, tem uma sonoridade maravilhosa e, além da possibilidade de acompanhar bem, tem nuances muito ricas. Então eu passei a estudar violão, comprei um belíssimo, mas tive de optar entre os dois instrumentos porque o piano eu estudava 24 horas por dia. Como eu já ganhava dinheiro como pianista e era reconhecido como tal, fiquei com o piano.

Que outro instrumento o senhor gostaria de tocar?

Minha mãe fazia questão que eu estudasse violino, mas o violino não me animava tanto quanto o piano. Outros instrumentos – violoncelo, contrabaixo – eu fui estudar apenas por causa da harmonia da composição. Tive de aprender a estrutura desses instrumentos para usar na partitura.

O que significa a música em sua vida?

A música representa o meu alimento espiritual, de alegria. De todo alimento que eu precisava para minha vivência, a música era a que me trazia mais força. Eu precisava da música. Ela me trazia alegria. Toda a minha vida passei ouvindo música. Desde os clássicos – Bach, Haendel, Mozart – até os populares e modernos. E optei por ser exclusivamente compositor popular.

Que músicas o senhor mais gosta de ouvir hoje?

Há tantos compositores populares bons e quando eles acertam com certa música, é a essa que eu me agarro.

Por exemplo…

Algumas coisas de Pixinguinha e Noel Rosa. Aqui em Belém o Cavalléro (Pedrinho Cavalléro), que eu gosto muito, e o Paulo André Barata. Ultimamente tenho gostado muito do capitão, que é como chamam o Nilson Chaves.

Quem o influenciou no início da carreira?

Villa-Lobos. Estudei praticamente todo o repertório de Villa-Lobos quando acompanhei a cantora Maria Aparecida a Paris.

Heitor-Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos

Como era o seu relacionamento com o maestro Villa-Lobos?
Ele foi muito meu amigo. A primeira vez em que fui falar com ele havia uma porção de gente esperando na ante-sala. Identifiquei-me e fui convidado a entrar. Ao abrir a porta, ele disse: “Vem cá, Waldemar. Olha aqui a tua música!” e me mostrou que já tinha nas mãos as composições impressas. Antes, eu já havia conhecido a esposa dele – de quem mais tarde separou-se – e trabalhava no coral que ela mantinha. Ela gostava muito da voz da Mara (irmã de Waldemar Henrique)  e falava muito ao marido da minha capacidade de trabalho. Villa-Lobos me tratou com muita simpatia e bondade, foi generosíssimo. E olha que ele era duro, uma pessoa muito difícil. Aconselhou-me muito: “Se eu fosse você, não fazia isso” e riscava a partitura. Eu ria porque a partitura já estava impressa e não podia mais ser mudada.

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Bidu Sayão, cantora lírica.

O senhor conviveu com diversas personalidades artísticas. Quem mais o impressionou?
No piano, Madalena Tagliaferro. No canto, Bidu Sayão e Maria Lúcia Godoy. Aqui em Belém tem a Maria Helena Coelho Cardoso, uma voz lindíssima. Lembro que uma vez o pianista Waldemar Navarro me telefonou no Rio de Janeiro e disse: “Waldemar, estou descobrindo novas canções tuas através de uma cantora que veio de Belém, a Maria Helena Coelho. Olha, eu estou ensaiando com Claudia Muzio, que é considerada a voz mais bela da Europa, mas a voz da Helena é muito mais bonita”. Nunca esqueci disso: que a voz da Helena era melhor que a Claudia Muzio.

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Mara, irmã de Waldemar Henrique.

E sua irmã, Mara?

Meu relacionamento com ela era muito bom. Ela gostava de cantar e eu achava que ela cantava bem. Nos concertos ela escolhia o repertório e fez um carreirão comigo. Mas não demorou muito, não, porque logo dois anos depois de despontar para o êxito apareceu um noivo. E o casamento atrapalha a carreira artística. Ela quis casar e eu não disse nada, mas pensei: “Eu tenho três irmãs. Por que esse homem não escolheu aquela outra irmã para casar, mas justamente a Mara?”

E o senhor, por que não quis casar?
Uma vez veio ao meu apartamento, no Rio, uma pianista gaúcha, que me falou que ia a Paris. Perguntei pelo marido e filhos e ela respondeu: “Ele vai ficar e as crianças ficam com o pai”. Olhei para as crianças, dois amorecos, e pensei: “Como se troca uma ilusão de ser a rainha do piano por dois amores como esses?”. Que coisa! As crianças eram muito mais importantes! Por isso evitei compromissos. Meu compromisso era com a música.

A nova geração conhece Waldemar Henrique idoso, meigo. Como era o maestro jovem?
Sassaricava! Gostava de passear, ir à praia. Quando fui ao Rio é que desenvolvi minha natureza.

E o amor, o senhor amou muito?
Eu sempre amei muito a música. Eu era uma pessoa que tinha devoção pela música. Às vezes quando saía de um clube, me chamavam e eu preferia ir para casa, onde me esperava uma partitura em cima da mesa. E eu pensava: “Se eu sair com esse pessoal a música vai ficar esperando”.

Mas o senhor nunca teve um grande amor, uma paixão violenta?
Nunca fui de loucuras. Sempre fui uma pessoa bastante controlada, não sei se pela religião ou pela educação. Tanto que penso muito nisso de as pessoas matarem as outras, pensarem que são proprietárias dos outros. Nada é da gente. Sempre achei que nada é meu. Se as pessoas querem a minha companhia certo; mas se deixar levar como propriedade, isso nunca.

O senhor fez tudo o que gostaria de fazer?
Fiz tudo o que me foi possível fazer.

Muitas decepções?
Não, por causa dessa maneira de pensar. Nada é meu, então devo aceitar as coisas como elas vêm.

O senhor recebeu o que deveria?
Parece incrível, as pessoas viviam brigando comigo porque eu não ligava para o direito autoral. Eu achava graça, porque não tinha paixão. Eu sempre ganhei meu dinheiro como concertista.

Trabalhar como concertista era suficiente, financeiramente?
Vou confessar uma coisa que nunca disse a ninguém. Ao chegar em Paris, uma senhora me falou que eu precisava ir a determinada igreja, que não lembro o nome, fazer votos a Nossa Senhora. Ali, eu decidi doar a Nossa Senhora tudo o que eu viesse a ter. Eu ficava isento de posses, riquezas, uma possível esposa. Eu passaria a distribuir aquele material de acordo com o que ela quisesse. Saí de Paris com essa idéia de que nada era meu, tudo era dela. E me acostumei com isso. Se alguém me pedia determinada importância, eu dava e podia sentir que Ela queria que eu desse.

O senhor, então, não dá mesmo importância ao dinheiro?
Não. Quando precisava de dinheiro para uma roupa ou viagem, inesperadamente ele aparecia. Até hoje se preciso de dinheiro é só pensar que ele vem.

O senhor se considera bem assistido na velhice?
Tudo o que Nossa Senhora me der está ótimo. Como tenho a proteção de Nossa Senhora, ela olha pelo meu chá, pelo meu cafezinho.

O senhor demonstra uma grande fé…
A vida é muito maravilhosa para realizar tudo o que for possível com a ajuda de um espírito muito forte. Temos que ter respeito porque somos guiados por forças – Deus, Nossa Senhora, um anjo, Cristo. É claro que na velhice fui acreditando muito mais. Quando era jovem, abusava, enchia a cara. Agora o médico me proibiu completamente de tomar até uma birita. Ah, eu tenho uma pena…

O senhor bebia o quê?
Tudo, uma Brahma, um Whisky, um champanhe. A bebida estimula até para compor. Antes de compor dava um gole numa garrafa de whisky que eu tinha dentro do guarda-roupa, tirava e bebia na garrafa mesmo. Era só para dar uma força.

O senhor não tem jeito de quem bebia whisky pelo gargalo…
A bebida era só para dar uma força, até para tomar um banho em dias frios.

O senhor tem medo?
Não tenho medo de nada.

Nem de barata?
Não, detesto barata, tenho nojo…

O senhor testemunhou os grandes avanços deste século. O mundo hoje é melhor que o da sua juventude?
Não, é horrível. As condições de vida são muito más, apesar de termos comunicação mais fácil. Mas há vaidade nas pessoas, chefões, todo mundo quer ser chefão. Aqui no Brasil a gente vai enrolando de qualquer jeito, acho que está tudo errado.

O senhor ainda sonha?
Nessa idade? Nem posso dizer que quero morar na China. Daqui vou para onde Deus quiser.

A soprano Maria Lúcia Godoy canta quatro canções de Waldemar Henrique: Uirapuru, Mãe d’Água, Cobra Grande e Foi Boto Sinhá.

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