Menininhas

Menininhas

Ricardo Pulido São pequenas, pesam pouco. Uns 15 kilos, talvez. Mas não param. Ao ver uma menininha de 3, 4 anos dançando sozinha, apenas porque vai ao parque, você entende o que os físicos querem dizer com “movimento browniano”. As moléculas de um gás são menininhas de 3, 4 anos. Aparentemente elas ocupam pouco espaço. E gostam disso. Se escondem dentro dos armários, embaixo das camas, nas prateleiras das estantes. Mas... a quantidade de brinquedos, roupas, revistinhas, adesivos, lápis de cor, sapatos, canetinhas, pulseirinhas, relógios, massinhas, bonecas, roupas de boneca, fraldas para as bonecas,  papinhas para as bonecas... Ecologistas são contra: uma menininha de 3, 4 anos deixa uma pegada de carbono terrível. Pegadas rosas, bem verdade. Com lacinhos. Elas têm opiniões fortes. Quando gostam, amam. Quando não gostam, é pra sempre. Ou pelo menos até amanhã. É que o dia de uma menininha de 3, 4 anos é tão cheio de coisas para fazer e ver, que até amanhã é quase uma vida e meia. São tecnológicas. Sabem operar celulares, tablets, DVDs. Não conseguem amarrar sapatos, mas dizem que sabem, só que estão com preguiça. E te pedem para amarrar. Ou então, ficam bravas, chamam o tênis de “cocozento” e pegam um chinelo. Que não é “chinelo”, é “Crocs”. Não têm paciência, nem para comer. Se o alimento não puder ser pego com as mãos e for, de preferência, absurdamente doce, desistem logo. Apenas o macarrão se salva. Com queijo, muito queijo. Adoram as princesas, todas elas. Veem seus filmes e desenhos inúmeras vezes. Usam fantasias das princesas mesmo num Domingo chuvoso, sem poder sair de casa. Também são fadas. E bruxas. E têm medo do Lobo e do Ladrão. Mas, às vezes, querem ser o Homem-Aranha e o Batman. Mas isso é coisa de menino! Então agora eu sou menino! Brincam de pintar as unhas. E de fazer maquiagem. Nelas, nas bonecas, nos parentes. Descobrem um perfume doce na prateleira e derramam na cama. Pra ficar cheiroso!.  Mas quando soltam pum, não escondem. Avisam para todo mundo e morrem de rir. Elas andam de bicicleta, patinete, correm muito. Inventam esportes dificílimos de praticar, com regras complicadas. Normalmente ganham, porque jogam e são os juízes ao mesmo tempo. E passam bastante tempo tentando dominar o bambolê. Mas quando, um dia, conseguem segurar uma vassoura de ponta cabeça, saem comemorando. Choram muito, e têm medo. Não entendem por que os adultos ficam tão bravos, às vezes. Perguntam muito, o tempo todo. Não se contentam com uma explicação qualquer. Mas se preocupam.  Quando acontece algo de ruim com alguém, sempre perguntam: ele chorou? Não te deixam dormir. Pulam na sua cama de madrugada e começam a pegar na sua orelha e dar chutes. Querem brincar de pular corda à 1h da manhã. Acordam de madrugada perguntando se já é dia, não acreditam e tentam abrir a porta da sala para conferir. Isso quando não caem da cama, assustando o bairro inteiro. As menininhas de 3, 4 anos fazem a gente perder…

As menininhas de 3, 4 anos fazem a gente perder a linha. São teimosas, desobedientes. E barulhentas. E de repente, te dão uma florzinha murcha, amarela, que acharam na calçada, falando: “Pra você”. E vão saltitando por aí.

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Ricardo Pulido

São pequenas, pesam pouco. Uns 15 kilos, talvez. Mas não param. Ao ver uma menininha de 3, 4 anos dançando sozinha, apenas porque vai ao parque, você entende o que os físicos querem dizer com “movimento browniano”. As moléculas de um gás são menininhas de 3, 4 anos.

Aparentemente elas ocupam pouco espaço. E gostam disso. Se escondem dentro dos armários, embaixo das camas, nas prateleiras das estantes. Mas… a quantidade de brinquedos, roupas, revistinhas, adesivos, lápis de cor, sapatos, canetinhas, pulseirinhas, relógios, massinhas, bonecas, roupas de boneca, fraldas para as bonecas,  papinhas para as bonecas… Ecologistas são contra: uma menininha de 3, 4 anos deixa uma pegada de carbono terrível. Pegadas rosas, bem verdade. Com lacinhos.

Elas têm opiniões fortes. Quando gostam, amam. Quando não gostam, é pra sempre. Ou pelo menos até amanhã. É que o dia de uma menininha de 3, 4 anos é tão cheio de coisas para fazer e ver, que até amanhã é quase uma vida e meia.

São tecnológicas. Sabem operar celulares, tablets, DVDs. Não conseguem amarrar sapatos, mas dizem que sabem, só que estão com preguiça. E te pedem para amarrar. Ou então, ficam bravas, chamam o tênis de “cocozento” e pegam um chinelo. Que não é “chinelo”, é “Crocs”.

Não têm paciência, nem para comer. Se o alimento não puder ser pego com as mãos e for, de preferência, absurdamente doce, desistem logo. Apenas o macarrão se salva. Com queijo, muito queijo.

Adoram as princesas, todas elas. Veem seus filmes e desenhos inúmeras vezes. Usam fantasias das princesas mesmo num Domingo chuvoso, sem poder sair de casa. Também são fadas. E bruxas. E têm medo do Lobo e do Ladrão. Mas, às vezes, querem ser o Homem-Aranha e o Batman. Mas isso é coisa de menino! Então agora eu sou menino!

Brincam de pintar as unhas. E de fazer maquiagem. Nelas, nas bonecas, nos parentes. Descobrem um perfume doce na prateleira e derramam na cama. Pra ficar cheiroso!.  Mas quando soltam pum, não escondem. Avisam para todo mundo e morrem de rir.

Elas andam de bicicleta, patinete, correm muito. Inventam esportes dificílimos de praticar, com regras complicadas. Normalmente ganham, porque jogam e são os juízes ao mesmo tempo. E passam bastante tempo tentando dominar o bambolê. Mas quando, um dia, conseguem segurar uma vassoura de ponta cabeça, saem comemorando.

Choram muito, e têm medo. Não entendem por que os adultos ficam tão bravos, às vezes. Perguntam muito, o tempo todo. Não se contentam com uma explicação qualquer. Mas se preocupam.  Quando acontece algo de ruim com alguém, sempre perguntam: ele chorou?

Não te deixam dormir. Pulam na sua cama de madrugada e começam a pegar na sua orelha e dar chutes. Querem brincar de pular corda à 1h da manhã. Acordam de madrugada perguntando se já é dia, não acreditam e tentam abrir a porta da sala para conferir. Isso quando não caem da cama, assustando o bairro inteiro.

As menininhas de 3, 4 anos fazem a gente perder a linha. São teimosas, desobedientes.  E barulhentas. E de repente, te dão uma florzinha murcha, amarela, que acharam na calçada, falando: “Pra você”. E vão saltitando por aí.

Saltitando é a melhor palavra. Você nunca verá uma menininha de 3. 4 anos caminhando. Elas correm, pulam e saltitam. Passam sempre rápido. Muito rápido. O que é uma pena. Só de pensar em que elas crescem, dá uma saudade…

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