Romance, de Mário Faustino

Romance, de Mário Faustino

Gustave Doré. Death on the Pale Horse A morte é o tema desse belo poema de Mário Faustino. Observe a beleza dos versos, a exatidão n escolha das palavras. O inusitado sentimento de amor à indesejada das gentes, que aos poucos leva o poeta a esquecer a cor dos olhos da vida e a deixar suas preciosas memórias serem pastadas pelo pálido cavalo amarelo. Para conhecer a vida e a obra Mário Faustino: Mário Faustino: o Lapidador das palavras Vozes do Romancero em "Romance", de Mário Faustino Biografia de Mário Faustino  na Wikipedia Romance Para as Festas da Agonia Vi-te chegar, como havia Sonhado já que chegasses: Vinha teu vulto tão belo Em teu cavalo amarelo, Anjo meu, que, se me amasses, Em teu cavalo eu partira Sem saudade, pena, ou ira; Teu cavalo, que amarraras Ao tronco de minha glória E pastava-me a memória, Feno de ouro, gramas raras. Era tão cálido o peito Angélico, onde meu leito Me deixaste então fazer, Que pude esquecer a cor Dos olhos da Vida e a dor Que o Sono vinha trazer. Tão celeste foi a Festa, Tão fino o Anjo, e a Besta Onde montei tão serena, Que posso, Damas, dizer-vos E a vós, Senhores, tão servos De outra Festa mais terrena — Não morri de mala sorte, Morri de amor pela Morte.  

Romance, poema de Mário Faustino

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Gustave_Doré_-_Death_on_the_Pale_Horse_(1865)

Gustave Doré. Death on the Pale Horse

A morte é o tema desse belo poema de Mário Faustino. Observe a beleza dos versos, a exatidão n escolha das palavras. O inusitado sentimento de amor à indesejada das gentes, que aos poucos leva o poeta a esquecer a cor dos olhos da vida e a deixar suas preciosas memórias serem pastadas pelo pálido cavalo amarelo.

Para conhecer a vida e a obra Mário Faustino:

Mário Faustino: o Lapidador das palavras

Vozes do Romancero em “Romance”, de Mário Faustino

Biografia de Mário Faustino  na Wikipedia

Romance

Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhado já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória,
Feno de ouro, gramas raras.
Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena —

Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.

 

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