Um guia para a Exposição Kandinsky

Um guia para a Exposição Kandinsky

Este texto é uma sugestão de guia para que você possa aproveitar ainda mais a exposição “Kandinsky: tudo começa num ponto”, que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) exibirá até setembro de 2015. O diferencial da exposição é não se limitar a apresentar a obra de Wassily Kandinsky. A proposta dos curadores Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky é oferecer ao público um conjunto de informações significativas que formaram a concepção artística do pintor. O resultado final revela um Kandinsky ainda mais complexo, um artista e suas descobertas, paixões e variadas formas de expressão. O público poderá ver, ouvir e sentir Kandinsky, realizando a comunhão com que o artista sonhava. “É um mergulho nas raízes do universo criativo de Kandinsky”, define o diretor geral da mostra, Rodolfo Athayde. De fato, a exposição é um trabalho considerável que reúne 156 objetos e quadros de nove museus da Europa e coleções particulares. Destes, quarenta são de Kandinsky. A seleção das obras seguiu a biografia do artista até sua partida definitiva da Rússia, em 1922. Os curadores recorreram ao livro de memórias do pintor, “Degraus”, a artigos e catálogos das exposições organizadas durante a vida do artista, especialmente as das fases do grupo O Cavaleiro Azul e do Salão de Izdebsky. É com esse conjunto reunido pela primeira vez que a exposição vai informando o espectador sobre o mundo de Kandinsky, as influências relevantes, os períodos em que viveu, as paulatinas mudanças em sua expressão artística. Junto às telas do artista está o substrato de uma arte construída de fortes emoções. Das primeiras experiências com a abstração entre 1909 e 1912, com peças que remetem à proposta pragmática da Bauhaus, a mostra permite que os espectadores percebam  como o abstracionismo de Kandinsky teve sua gênese em esforços anteriores. A cultura popular e o folclore russo Roca de fiar. Foto: Claudia Baccile Logo na entrada da mostra, há uma grande fotografia de uma cena camponesa russa. É o portal de entrada para o mundo de Kandinsky. Ali estão rocas de fiar, trenós de neve, um batente de janela e outros objetos da arte popular cujas cores e formas você identificará nas telas de Kandinsky. Mergulhe na profusão de referências. A Rússia antiga vive na arte de Kandinsky, com suas canções folclóricas, cores quentes e imagens nascidas das histórias que as babushkas contavam aos netos. Pássaro celestial chamado Alkonost Em uma das paredes uma litografia, Pássaro celestial chamado Alkonost. Corpo de pássaro com rosto de bela mulher, o Alkonost tem raízes na mitologia e no folclore russos. As antigas crenças pagãs o reverenciavam como benévolo protetor. Está ali porque remete  a uma das mais tradicionais formas de decoração das casas russas: os lubki, um tipo de impressão caracterizado por desenhos e narrativas derivadas da literatura, histórias religiosas e narrativas populares. Na parede oposta, xilogravuras com a temática de contos de fadas, lendas e narrativas populares, ornamentos e objetos de madeira. Milagre de São Jorge e o Dragão Observe o quadro São…

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Este texto é uma sugestão de guia para que você possa aproveitar ainda mais a exposição “Kandinsky: tudo começa num ponto”, que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) exibirá em quatro capitais até setembro de 2015.

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Este texto é uma sugestão de guia para que você possa aproveitar ainda mais a exposição “Kandinsky: tudo começa num ponto”, que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) exibirá até setembro de 2015.

O diferencial da exposição é não se limitar a apresentar a obra de Wassily Kandinsky. A proposta dos curadores Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky é oferecer ao público um conjunto de informações significativas que formaram a concepção artística do pintor. O resultado final revela um Kandinsky ainda mais complexo, um artista e suas descobertas, paixões e variadas formas de expressão. O público poderá ver, ouvir e sentir Kandinsky, realizando a comunhão com que o artista sonhava.

“É um mergulho nas raízes do universo criativo de Kandinsky”, define o diretor geral da mostra, Rodolfo Athayde. De fato, a exposição é um trabalho considerável que reúne 156 objetos e quadros de nove museus da Europa e coleções particulares. Destes, quarenta são de Kandinsky.

A seleção das obras seguiu a biografia do artista até sua partida definitiva da Rússia, em 1922. Os curadores recorreram ao livro de memórias do pintor, “Degraus”, a artigos e catálogos das exposições organizadas durante a vida do artista, especialmente as das fases do grupo O Cavaleiro Azul e do Salão de Izdebsky.

É com esse conjunto reunido pela primeira vez que a exposição vai informando o espectador sobre o mundo de Kandinsky, as influências relevantes, os períodos em que viveu, as paulatinas mudanças em sua expressão artística. Junto às telas do artista está o substrato de uma arte construída de fortes emoções.

Das primeiras experiências com a abstração entre 1909 e 1912, com peças que remetem à proposta pragmática da Bauhaus, a mostra permite que os espectadores percebam  como o abstracionismo de Kandinsky teve sua gênese em esforços anteriores.

A cultura popular e o folclore russo

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Roca de fiar. Foto: Claudia Baccile

Logo na entrada da mostra, há uma grande fotografia de uma cena camponesa russa. É o portal de entrada para o mundo de Kandinsky. Ali estão rocas de fiar, trenós de neve, um batente de janela e outros objetos da arte popular cujas cores e formas você identificará nas telas de Kandinsky. Mergulhe na profusão de referências. A Rússia antiga vive na arte de Kandinsky, com suas canções folclóricas, cores quentes e imagens nascidas das histórias que as babushkas contavam aos netos.

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Pássaro celestial chamado Alkonost

Em uma das paredes uma litografia, Pássaro celestial chamado Alkonost. Corpo de pássaro com rosto de bela mulher, o Alkonost tem raízes na mitologia e no folclore russos. As antigas crenças pagãs o reverenciavam como benévolo protetor. Está ali porque remete  a uma das mais tradicionais formas de decoração das casas russas: os lubki, um tipo de impressão caracterizado por desenhos e narrativas derivadas da literatura, histórias religiosas e narrativas populares. Na parede oposta, xilogravuras com a temática de contos de fadas, lendas e narrativas populares, ornamentos e objetos de madeira.

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Milagre de São Jorge e o Dragão

Observe o quadro São Jorge, colocado logo na quina da primeira sala. É um original de Kandinsky. Ao lado dele, a fonte de inspiração: uma têmpera sobre madeira chamada Milagre de São Jorge e o Dragão, datada da segunda metade do século XVI.  A tela de Kandinsky está propositalmente na junção das duas paredes porque era assim que se costumava pôr os quadros nas casas da antiga Rússia.

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São Jorge. Kandinsky. Foto: Claudia Baccile

Agora, fixe a profusão de cores na tela até começar a “sentir” as emoções que o pintor quer transmitir. Observe que, no trabalho de Kandinsky, não aparece claramente São Jorge, mas ali está a lança fatídica, a que atravessa a tela como um jato de luz e fere de morte o mal. Também não há a imagem do dragão. Em seu lugar, há apenas as imensas espinhas das costas e a massa de cores que traduzem morte, dor e sangue. Lá no alto, com olhar de horror, está o cavalo. Perdido entre cores, ele parece um espectro. Um dos mais belos trabalhos desta exposição.

Jorge, um dos santos bizantinos mais venerados da Rússia, era o santo padroeiro dos príncipes e tinha papel de destaque na vida religiosa e política do país. A imagem de Jorge estava no brasão estatal e na moeda moscovita. O santo, um herói venerado pelo povo como bravo guerreiro, defensor das terras russas, tem sua imagem associada à vitória do bem contra o mal. O quadro de São Jorge é de 1911, período em que Kandinsky se sentiu novamente atraído pelas tradições de seu país.

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Amazona com leões azuis . 1918. Óleo sobre vidro.

Dedique algum tempo para os trabalhos delicadíssimos em óleo sobre vidro que dialogam diretamente com as narrativas tradicionais russas. Na série, o pintor usa uma técnica bastante popular nos quadros vendidos em feiras do sul da Alemanha,mas  a temática é essencialmente russa e remete ao estilo das ilustrações dos contos de fadas. Amazona nas montanhas, Amazona com leões azuis e Nuvem branca são pequenas jóias de cores fortes.

No lado oposto da mesma sala, está uma tela em que se mostra Moscou idealizada, com as icônicas torres da catedral de São Basílio.

Um céu dourado domina o cenário de A velha Moscou. Uma rua em Kitai-Gorod em que o pintor, Apollináry Vasnetsov, assim como Kandinsky, se revela apaixonado pelo passado remoto e pela cultura russa.

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A velha Moscou. Uma rua em Kitai-Gorod

Kandinsky e o universo espiritual do xamanismo

Espalhados pelas salas das duas galerias seguintes estão os míticos objetos do xamanismo que se enraizaram na obra de Kandinsky. Muitos vieram da Fundação Sergio Poggianella, de Rovereto, Itália. São evocações dos samoiedos, povo do extremo norte da Rússia. Fascinado pelas paisagens ermas, paragens solitárias, onde o gelo domina a cena e os ossos dos animais sacrificados são consumidos pelo tempo, Kandinsky os incorporou a diversas telas.

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“O lago dos espíritos montanheses”, de Grigory Gurkin

Veja esse clima em pinturas como O lago dos espíritos montanheses, de Grigory Gurkin, e Restos de acampamento dos samoiedos, de Konstantin Koróvin (1861-1939). Este era um famoso retratista e paisagista que, no fim da década de 1890, viajou à Sibéria para fazer uma série de quadros a serem expostos no pavilhão “Os confins da Rússia”, da exposição mundial em Paris em 1900. O norte o impressionou fortemente. De uma certa forma, Korovin fez o mesmo que a atual exposição se propõe: trouxe da região retratada peles de animais e peixes vivos a fim de oferecer ao público a experiência de se relacionar com os objetos retratados nas telas.

 

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Veste xamânica. Foto: Claudia Baccile

Dedique algum tempo aos detalhes das vestes tradicionais dos xamãs, com as longas tranças que terminam em três pontas para simbolizar o trino mundo (dos bons espíritos, dos homens e dos maus espíritos), plumas e sinos. Junto a eles ficam os objetos de culto, tambores, máscaras e arcos de cobre. Retalhos de um mundo passado, onde homens dotados de um poder especial  imergiam no mundo dos mortos para buscar a cura dos corpos e das almas. Observe nas telas abstratas os rastros desse universo místico.

Além das vestes, há coroas xamânicas, cajados, adornos de cabeça, tambores, espadas,  amuletos e pingentes, calçados , címbalos, colares e aventais. Atente para o Tambor xamânico com ongon, ele tem um diferencial: é um tambor simbólico que inclui o espírito do xamã ancestral (ongon)

 

Uma tela em que Kandinsky dialoga de forma explícita com a realidade espiritual dos xamãs é Improvisação, de 1913. A pintura, que pertence ao acervo da Primorskaya State Gallery, de Vladivostok, mostra um personagem montado num cavalo a galope, com o tronco girado para trás, armado com um arco cuja flecha está pronta a ser lançada. Mas ao redor e na direção da seta não há animais para caçar. Presume-se que o cavaleiro com o arco é um xamã. Ao lado dele, seu espírito “assistente”. A cena mostraria que ele estava deixando o mundo do meio, o que é habitado por homens, para alcançar o mundo superior habitado pelos espíritos do céu. Vai em busca da alma do doente que deve curar. Mas como a viagem do êxtase é repleta de perigos, o arco apontado na direção do mundo inferior tem a função de proteger o xamã de ataques de espíritos malignos. A corda do arco não está tensionada porque, embora o xamã já tenha sentido a sua presença, nenhum espírito hostil se manifestou ainda, mas o estado de alerta permanece. Do lado esquerdo do cavalo são bem visíveis três manchas circulares, duas de cores avermelhadas, uma azul e uma azulada com uma mancha amarela no interior. As manchas circulares fazem referência ao cavalo malhado, considerado sagrado pelo povo xamânico da Sibéria

Paisagens, amigos e contemporâneos e memórias

Também fazem parte da exposição, as telas dos amigos, contemporâneos e da esposa de Kandinsky, Gabriele Münter. Ponha seus olhos sobre os trabalhos dos artistas que faziam parte do grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) e dos salões de Izdebsky, como Vladimir Bekhteev (Na floresta) e Marianne von Werefkin (Pescador e No Teatro)

Os simbolistas também se fazem presentes. Dê atenção às telas O fundo do mar e O pesar (Giotto), de Deníssov e Koróvin, respectivamente, além de O profeta Elias, de Nicolai Roerich. Outro trabalho que merece atenção é o emblemático O triunfo do céu , de Kazimir Malévich, uma rara oportunidade de ver um trabalho simbolista do criador do Suprematismo.

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Triunfo do Céu

Anote na agenda a necessidade de dirigir um olhar demorado para a tela de Pável Filónov, Duas Meninas. Perceba os múltiplos planos, com intensas cores das quais surgem contornos de figuras humanas, esguias, esquivas.

Atente para a obra de Svyatoslav Voinov, Sonho, uma das imagens mais inquietantes inspiradas pela Primeira Guerra Mundial. O sonho, motivo favorito dos simbolistas, serviu como pretexto para uma reflexão sobre a barbaridade da guerra que retira a humanidade dos soldados .

Assim como aos amigos de Kandinsky, a exposição reserva espaço para obras de fases anteriores do pintor, em que são registradas lembranças emocionadas das paisagens russas. Numa delas, há cenas pós-impressionistas de Akhtyrka, nos arredores de Moscou, onde o artista morou. O Rio no Outono, Rio no Verão, Outono e Igreja Vermelha trazem espelhos d’água marcantes e uma escolha das cores que já prenunciava os trabalhos futuros.

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Igreja Vermelha. ©Kandinsky, Wassily, AUTVIS, Brasil, 2014.

No outono de 1908, inicia-se uma nova etapa na obra de Kandinsky. A convite de Aleksei Yavlénsky e Marianne von Werefkin (cujas obras estão exposição), ele se muda para Murnau com a esposa, Gabriele Münter, para uma pequena aldeia dos Alpes alemães. A exposição traz as obras do artista durante esses anos, nas quais se percebe claramente a influência dos fauvistas franceses. A exposição traz telas desse período, como Murnau, Paisagem estival, em que as cores não são meras reproduções da natureza, mas a transmissão das emoções do pintor.

Um conjunto de telas de Gabriele Münter está logo adiante, na mesma sala, e vale a pena conhecê-las. Também não deixe de observar as xícaras e pires com composições abstratas e suprematistas.

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Foto: Claudia Baccile

Datadas da década de 1920, as peças em porcelana foram produzidas pouco antes de Kandinsky partir para a Alemanha. A decoração abstrata, que era novidade na época, atraiu a atenção dos produtores de porcelana. Nos primeiros anos após da Revolução, muitos deles estavam à procura de um novo estilo de decoração, que tivesse consonância com as mudanças que haviam acontecido no país e não mais remetessem à época do czarismo.

Viagem pela alma das telas

Diante dos trabalhos de Kandinsky, não se deixe intimidar. Mergulhe na tela, descubra intenções, empreenda viagens, namore todas as cores. Elas estão lá exatamente para isso: conversar com seu espírito e estabelecer um diálogo.

Veja com atenção Crepuscular (1917) , um caso raro, em que o título dado por Kandinsky revela o conteúdo do quadro. Quadro com pontas (1919) traduz com perfeição os sentimentos de Kandinsky  com os rumos do regime soviético, cada vez mais ditatorial na relação com os artistas. O quadro, com um raro fundo marrom,  tomado por formas pontiagudas e lâminas afiadas, revela dor, isolamento.

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Quadro com pontas

No Branco (1920), uma das principais peças da exposição, atente para a  harmonia criada somente com cores e linhas. Para Kandinsky, o branco representa “o símbolo de um universo de onde desapareceram todas as cores. Esse mundo está tão distante e alto que seus sons não chegam até nós. De lá só provém um grande silêncio que seria como  um muro frio, inacessível e indestrutível no infinito. Mas esse silêncio não é um silêncio morto: está repleto de possibilidades. A cor branca é o silêncio que, de repente, pode ser compreendido”.

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No Branco

Não deixe de notar Dois ovais, obra de 1919. No fim da década de 1910, Kandinsky pintou algumas composições com ovais. Mesmo sendo inteiramente abstratas, é possível perceber nelas associações com objetos reais (pequenas cúpulas de igreja, campos e navios) que despertavam emoções no artista. Enrede-se com as cores nessa tela na qual está bem clara a forma de criar de Kandinsky, com um ponto inicial em torno do qual se desenvolve a obra.

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Dois Ovais

Schönberg e Kandinsky

A exposição traz diversas peças do Arnold Schönberg Center, em Viena, a fim de enriquecer a visão do público sobre a profunda ligação de Kandinsky com o compositor Schönberg. Ambos partilhavam a vida em um mundo que se reconstruía politicamente, derrubando estruturas conhecidas. Também dividiam o objetivo de contestar e se esquivar dos ditames de uma ordem artístico-cultural assentada, estável e tradicional. Enfrentaram rejeição e preconceito, mas das cinzas do fogo artístico de ambos surgiu a reorganização da arte.

A apresentação do Segundo quarteto de cordas, de Schönberg, em 2 de janeiro de 1911 em Munique assinalou a data em que se cruzaram as vidas dos criadores do dodecafonismo e do abstracionismo. Kandinsky ficou profundamente impressionado pela música de Schönberg, os laços se estreitaram e a as propostas de compositor estimularam Kandinsky a aprofundar, ainda mais, os caminhos do abstracionismo.

Kandinsky, a partir desse momento, passa a desejar que o observador olhe “para dentro” do quadro, lendo cada detalhe, estabelecendo relações com outras partes da pintura e, dessa maneira, interpretando sem pressa as mensagens artísticas. Por isso, escolhe títulos de procedência musical, como Impressão, Improvisação e Composição para as obras maiores, desenvolvidas com extensos esboços prévios e várias etapas intermediárias.

Dentro dessa proposta, veja com atenção o quadro Improvisação Nº 11 pintura faz parte da série “Improvisações”, na qual Kandinsky faz uma profunda associação entre a pintura e a música. A série foi criada entre 1909 e 1914, um período extremamente fértil do artista.

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Improvisação Nº 11. ©Kandinsky, Wassily,/AUTVIS, Brasil, 2014

Também não deixe de ver uma edição em alemão do livro de Kandinsky “Do espiritual na Arte”, catálogos, xilogravuras e originais de cartas trocadas entre os artistas, além de dois autorretratos de Schönberg, que também se arriscou na pintura. O primeiro é uma tela bastante tradicional, mas o segundo é provocativo o bastante ao desencadear uma série de questionamentos sobre as intenções do autor. Schönberg jamais mencionou esse trabalho. Portanto, fique à vontade para criar sua própria teoria sobre os braços erguidos, a cabeleira espantosa e o círculo de fogo na região do coração.

Também abra os ouvidos. A música que você ouvirá ao longo da exposição será a de Schönberg. Se estranhar, não se inquiete, é apenas uma arte diferente e nova abrindo passagem pela sua alma.

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Sergio Poggianella, cuja Fundação cedeu várias obras para a exposição, comenta o autorretrato de Schönberg. Foto: Claudia Baccile

 Texto: Sonia Zaghetto (sonia@artelivre.net)

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SERVIÇO

Exposição Kandinsky: Tudo Começa num Ponto

CCBB SÃO PAULO – de 21 de julho a 28 de setembro

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – (11) 3113-3651/36523

Horário: quarta a segunda, das 9h às 21 horas

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1 Comment

  1. Manoel neto
    Manoel neto2 years ago

    Belíssimo teXTO…Em breve Estarei lá.

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