Debret em Brasília

Debret em Brasília

O olhar aguçado e os quinze anos que o pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848) passou no Rio de Janeiro o credenciaram como um dos mais importantes artistas a retratar, com engenho e arte, o cotidiano do Brasil colonial. Esse refinado testemunho de uma época agora pode ser apreciado nas 120 aquarelas originais que integram a exposição O Rio de Janeiro de Debret, que o Museu Correios exibe até o dia 25 de outubro de 2015. É uma oportunidade inédita para o público apreciar a visão criada por um dos grandes pintores viajantes franceses sobre o Rio de Janeiro. Prepare-se para conhecer a hierarquia que havia entre os escravos, A mostra é uma parceria entre o Museu Correios e os Museus Castro Maya IBRAM/Minc. A Coleção Castro Maya, à qual pertencem os trabalhos, guarda mais de 500 originais de Debret (aquarelas e desenhos), raramente vistos em grandes conjuntos. Filho de um escrivão do parlamento da França e primo do pintor Jacques-Louis David, Debret sempre esteve ligado à política e à arte que a servia.  Assim, o artista veio para o Brasil, integrando a Missão Artística Francesa, e residiu no Rio de Janeiro entre 1816 e 1831. Durante esse período, acompanhou as grandes transformações pelas quais passava a sociedade brasileira como consequência da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808. Aqui ele foi, por um lado, testemunha de momentos decisivos e de atos governamentais que mudaram a feição política, social e cultural do país e, por outro, integrante da vida cotidiana da cidade. O Rio de Janeiro da época – então com cerca de 100.000 habitantes – foi retratado por Debret com grande minúcia e intimidade, ao ponto de tornar sua obra um catálogo de porm­enores da vida na cidade, ressaltando-se, principalmente, as questões sobrevindas da polarização da sociedade entre homens livres e escravos, um aspecto nitidam­ente exótico e chocante para os olhos europeus. Segundo a curadora da mostra, Anna Paola Baptista, “Debret é o cronista maior da vida do Brasil na primeira metade do século XIX. Ele acompanhou e documentou visualmente o início do Brasil como Nação independente, especialmente no Rio de Janeiro que agora comemora 450 anos”. Debret chegou à nova sede da Corte Portuguesa em 1816, juntamente com vários artistas da  “Missão Artística Francesa” para fundar a Academia Imperial de Belas Artes que deveria promover o ensino das artes e ofícios no Brasil. Com um salário anual de 800 mil réis, logo se engajou nas tarefas de pintor da Corte praticando não apenas a pintura de cavalete, mas também a concepção e produção de ornamentações variadas para festejos e cenários. Porém, a fundação da Academia e, consequentemente, o encargo de professor de pintura histórica só se daria em novembro de 1826. À espera deste acontecimento, e mesmo depois dele, Debret dedicou-se à produção de centenas de aquarelas que viriam mais tarde ser a base de sua grande obra impressa: os três volumes do “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”, editados na França entre 1834 e 1839.   As aquarelas do Rio demonstram, até mesmo em sua composição, a…

Um refinado testemunho do Brasil colonial agora pode ser apreciado nas 120 aquarelas originais que integram a exposição "O Rio de Janeiro de Debret", que o Museu Correios exibe até o dia 25 de outubro de 2015. É uma oportunidade inédita para o público apreciar a visão criada de Jean-Baptiste Debret, um dos grandes pintores viajantes franceses sobre o Rio de Janeiro.

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O olhar aguçado e os quinze anos que o pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848) passou no Rio de Janeiro o credenciaram como um dos mais importantes artistas a retratar, com engenho e arte, o cotidiano do Brasil colonial.

Esse refinado testemunho de uma época agora pode ser apreciado nas 120 aquarelas originais que integram a exposição O Rio de Janeiro de Debret, que o Museu Correios exibe até o dia 25 de outubro de 2015. É uma oportunidade inédita para o público apreciar a visão criada por um dos grandes pintores viajantes franceses sobre o Rio de Janeiro.

Prepare-se para conhecer a hierarquia que havia entre os escravos,

A mostra é uma parceria entre o Museu Correios e os Museus Castro Maya IBRAM/Minc. A Coleção Castro Maya, à qual pertencem os trabalhos, guarda mais de 500 originais de Debret (aquarelas e desenhos), raramente vistos em grandes conjuntos.debret

Filho de um escrivão do parlamento da França e primo do pintor Jacques-Louis David, Debret sempre esteve ligado à política e à arte que a servia.  Assim, o artista veio para o Brasil, integrando a Missão Artística Francesa, e residiu no Rio de Janeiro entre 1816 e 1831. Durante esse período, acompanhou as grandes transformações pelas quais passava a sociedade brasileira como consequência da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808. Aqui ele foi, por um lado, testemunha de momentos decisivos e de atos governamentais que mudaram a feição política, social e cultural do país e, por outro, integrante da vida cotidiana da cidade.

O Rio de Janeiro da época – então com cerca de 100.000 habitantes – foi retratado por Debret com grande minúcia e intimidade, ao ponto de tornar sua obra um catálogo de porm­enores da vida na cidade, ressaltando-se, principalmente, as questões sobrevindas da polarização da sociedade entre homens livres e escravos, um aspecto nitidam­ente exótico e chocante para os olhos europeus.

Segundo a curadora da mostra, Anna Paola Baptista, “Debret é o cronista maior da vida do Brasil na primeira metade do século XIX. Ele acompanhou e documentou visualmente o início do Brasil como Nação independente, especialmente no Rio de Janeiro que agora comemora 450 anos”.

debret3Debret chegou à nova sede da Corte Portuguesa em 1816, juntamente com vários artistas da  “Missão Artística Francesa” para fundar a Academia Imperial de Belas Artes que deveria promover o ensino das artes e ofícios no Brasil. Com um salário anual de 800 mil réis, logo se engajou nas tarefas de pintor da Corte praticando não apenas a pintura de cavalete, mas também a concepção e produção de ornamentações variadas para festejos e cenários. Porém, a fundação da Academia e, consequentemente, o encargo de professor de pintura histórica só se daria em novembro de 1826. À espera deste acontecimento, e mesmo depois dele, Debret dedicou-se à produção de centenas de aquarelas que viriam mais tarde ser a base de sua grande obra impressa: os três volumes do “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”, editados na França entre 1834 e 1839.
 
As aquarelas do Rio demonstram, até mesmo em sua composição, a pos­tura integrada do artista ao seu objeto. É flagrante a sensação de intimidade e proximidade com a imagem retratada que emana de suas aquarelas da cidade, quase como se o ponto de vista de observação partisse do interior da cena. Apesar de dominadas pela figura humana, geralmente em primeiro plano, as obras apresentam um elenco enciclopédico de características da arquitetura, interi­ores, vestimentas, usos e costumes, lazer, festejos populares ou religiosos.
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Serviço:

Exposição “O Rio de Janeiro de Debret”
 
Visitação: até 25 de outubro de 2015
 
Local: Museu Correios – Setor Comercial Sul, quadra 4, bloco A, n° 256, Asa Sul.
 
Informações: (61) 3213-5076 – museu@correios.com.br
 
Classificação etária: Livre para todos os públicos.
 
Entrada Franca
 
Horários: 10h às 19h, de terça à sexta-feira, e sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h.
 
Realização: Museus Castro Maya IBRAM/Minc
 
Curadoria: Anna Paola Baptista
 

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