The lady of Shalott – A história do quadro

The lady of Shalott – A história do quadro

The Lady of Shalott (A Dama de Shalott), de 1888, um dos quadros mais conhecidos do pintor pré-raphaelita John William Waterhouse (1849-1917), teve como inspiração um dos poemas de Lord Alfred Tennyson (1809 - 1892) baseados nas novelas de cavalaria e nas narrativas sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. De acordo com a  lenda e o poema de Tennyson, a Lady de Shalott vivia sozinha numa ilha-castelo. Por causa de uma maldição da Fada Morgana, precisava constantemente tecer um tecido mágico e não podia olhar diretamente para fora. Assim, ela via o mundo através de um espelho e tecia as imagens em seu tear. Um dia, a Lady viu pelo espelho a imagem do belo cavaleiro Lancelot e se apaixonou instantaneamente. Ela desafiou a proibição e olhou diretamente para ele pela janela. Desejando encontrar Lancelot, apesar de saber que ele amava a rainha Guinevere, ela deixou o castelo e, em um barco desceu o rio até Camelot, mas morreu antes de atingir a costa. A pintura de Waterhouse mostra a Dama de Shalott no momento em que, já consciente que a maldição se concretizou, ela entra no barco em que morrerá, entoando uma canção. Estão presentes todos os elementos do poema de Tennyson: o salgueiro, o rio sinuoso e turvo, as árvores que ensombreiam Shalott. No centro da cena está a dama, uma moça ruiva, com um vestido branco e expressão de tristeza e dor. Ela está prestes a soltar as correntes do barco, que segura com a mão direita e que representam sua decisão de libertar-se da maldição e também da vida. No barco, a tapeçaria bordada traz as cenas de cavalaria que ela via através do espelho. As três velas, das quais só uma ainda está acesa, indicam que o seu tempo de vida está prestes a terminar. O crucifixo, a luz do entardecer e a cor negra do barco também apontam para o aspecto fúnebre da cena. Os lábios entreabertos indicam que ela canta sua última canção. Flutuando no rio está o lírio aquático (water-lily) mencionado no poema. Alfred Tennyson escreveu duas versões do poema, uma em 1833 e a outra em 1842. Tennyson era um dos poetas favoritos dos artistas pré-raphaelitas e a Lady de Shallot é um dos temas preferidos de Waterhouse.   Veja aqui o poema de Tennyson musicado por Loreena McKennitt
Abaixo você lê o texto original de Tennyson, The Lady of Shalott, e a sua tradução para o português: On either side of the river lie De ambos os lados do rio se encontram Long fields of barley and of rye, Imensos campos de cevada e de centeio, That clothe the wold and meet the sky; Que revestem a planície e encontram o céu; And thro' the field the road run by E pelo campo a estrada corre To many-towered Camelot; Para a Camelot de muitas torres; And up and down the people go, E, para além de onde pessoas vão, Gazing where the lilies flow Contemplando onde os lírios flutuam, Round an island there below, Há uma ilha mais abaixo,…

The Lady of Shalott (A Dama de Shalott), um dos quadros mais conhecidos do pintor pré-raphaelita John William Waterhouse, teve como inspiração um dos poemas de Lord Alfred Tennyson baseados nas novelas de cavalaria e nas narrativas sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

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The Lady of Shalott (A Dama de Shalott), de 1888, um dos quadros mais conhecidos do pintor pré-raphaelita John William Waterhouse (1849-1917), teve como inspiração um dos poemas de Lord Alfred Tennyson (1809 – 1892) baseados nas novelas de cavalaria e nas narrativas sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

De acordo com a  lenda e o poema de Tennyson, a Lady de Shalott vivia sozinha numa ilha-castelo. Por causa de uma maldição da Fada Morgana, precisava constantemente tecer um tecido mágico e não podia olhar diretamente para fora. Assim, ela via o mundo através de um espelho e tecia as imagens em seu tear. Um dia, a Lady viu pelo espelho a imagem do belo cavaleiro Lancelot e se apaixonou instantaneamente. Ela desafiou a proibição e olhou diretamente para ele pela janela. Desejando encontrar Lancelot, apesar de saber que ele amava a rainha Guinevere, ela deixou o castelo e, em um barco desceu o rio até Camelot, mas morreu antes de atingir a costa.

A pintura de Waterhouse mostra a Dama de Shalott no momento em que, já consciente que a maldição se concretizou, ela entra no barco em que morrerá, entoando uma canção. Estão presentes todos os elementos do poema de Tennyson: o salgueiro, o rio sinuoso e turvo, as árvores que ensombreiam Shalott. No centro da cena está a dama, uma moça ruiva, com um vestido branco e expressão de tristeza e dor. Ela está prestes a soltar as correntes do barco, que segura com a mão direita e que representam sua decisão de libertar-se da maldição e também da vida. No barco, a tapeçaria bordada traz as cenas de cavalaria que ela via através do espelho. As três velas, das quais só uma ainda está acesa, indicam que o seu tempo de vida está prestes a terminar. O crucifixo, a luz do entardecer e a cor negra do barco também apontam para o aspecto fúnebre da cena. Os lábios entreabertos indicam que ela canta sua última canção. Flutuando no rio está o lírio aquático (water-lily) mencionado no poema.
Alfred Tennyson escreveu duas versões do poema, uma em 1833 e a outra em 1842. Tennyson era um dos poetas favoritos dos artistas pré-raphaelitas e a Lady de Shallot é um dos temas preferidos de Waterhouse.

 

Veja aqui o poema de Tennyson musicado por Loreena McKennitt

Abaixo você lê o texto original de Tennyson, The Lady of Shalott, e a sua tradução para o português:

On either side of the river lie De ambos os lados do rio se encontram
Long fields of barley and of rye, Imensos campos de cevada e de centeio,
That clothe the wold and meet the sky; Que revestem a planície e encontram o céu;
And thro’ the field the road run by E pelo campo a estrada corre
To many-towered Camelot; Para a Camelot de muitas torres;
And up and down the people go, E, para além de onde pessoas vão,
Gazing where the lilies flow Contemplando onde os lírios flutuam,
Round an island there below, Há uma ilha mais abaixo,
The island of Shalott. A ilha de Shalott.
Willows whiten, aspens quiver, Salgueiros embranquecem, álamos tremem,
Little breezes dusk and shiver Ligeiras brisas, crepúsculo e calafrio
Thro’ the wave that runs for ever São levados pela onda que passa eternamente
By the island in the river Pela ilha no rio
Flowing down to Camelot. Boiando até Camelot.
Four grey walls, and four grey towers, Quatro paredes cinzentas, e quatro torres cinzentas,
Overlook a space of flowers, Olham lá do alto um espaço de flores,
And the silent isle embowers E a ilha silenciosa cobre de sombras
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
Only reapers, reaping early, Somente ceifeiros, ceifando cedo,
In among the bearded barley Por entre a cevada
Hear a song that echoes cheerly Ouvem uma canção que ecoa alegremente
From the river winding clearly Trazida pela brisa do rio sinuoso
Down to tower’d Camelot; Até as torres de Camelot;
And by the moon the reaper weary, E ao luar, o ceifeiro cansado,
Piling sheaves in uplands airy, Empilhando feixes em altos platôs,
Listening, whispers “’tis the fairy Escutando-a, sussurra: “É a fada,
The Lady of Shalott.” A Dama de Shalott”.
There she weaves by night and day Lá ela tece dia e noite
A magic web with colours gay, Uma teia mágica com cores brilhantes,
She has heard a whisper say, Ela ouviu um sussurro dizendo,
A curse is on her if she stay Que a maldição cairá sobre ela se
To look down to Camelot. Olhar para baixo, para Camelot.
She knows not what the curse may be, Ela não sabe o que a maldição pode ser,
And so she weaveth steadily, E assim ela tece continuamente,
And little other care hath she, E nenhuma outra preocupação ela tem,
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
And moving through a mirror clear E movendo-se através de um espelho claro
That hangs before her all the year, Que pende diante dela todo o ano,
Shadows of the world appear. Sombras do mundo aparecem.
There she sees the highway near Lá ela vê a estrada próxima
Winding down to Camelot; Que leva a Camelot;
And sometimes thro’ the mirror blue E às vezes, através do espelho azul, vê
The knights come riding two and two. Os cavaleiros que vêm cavalgando dois a dois.
She hath no loyal knight and true, Ela não tem nenhum cavaleiro leal e verdadeiro,
The Lady Of Shalott. A Dama de Shalott.
But in her web she still delights Mas em sua teia, ela ainda contempla
To weave the mirror’s magic sights, As mágicas visões do espelho,
For often thro’ the silent nights Por vezes, nas noites silenciosas
A funeral, with plumes and lights Um funeral, com plumagens e luzes,
And music, went to Camelot; E música, vinda de Camelot;
Or when the moon was overhead, Ou quando a Lua estava alta,
Came two young lovers lately wed. Dois jovens amantes recém-casados.
“I am half sick of shadows,” said “Estou um pouco cansada das sombras”, disse
The Lady Of Shalott. A Dama de Shalott.
A bow-shot from her bower-eaves, A uma pequena distância de seu castelo,
He rode between the barley sheaves, Ele cavalgou por entre os feixes de cevada,
The sun came dazzling thro’ the leaves, O sol veio ofuscante por entre as folhas,
And flamed upon the brazen greaves E brilhou sobre a armadura de bronze
Of bold Sir Lancelot. Do ousado Sir Lancelot.
A red-cross knight for ever kneel’d Um cavaleiro de cruz-vermelha, eternamente ajoelhado
To a lady in his shield, Perante uma senhora em seu escudo,
That sparkled on the yellow field, Que brilhava no campo amarelo,
Beside remote Shalott. Ao lado da remota Shalott.
His broad clear brow in sunlight glow’d; Sua clara sobrancelha brilhou à luz do sol;
On burnish’d hooves his war-horse trode; Em cascos polidos, seu cavalo de guerra pisou;
From underneath his helmet flow’d Debaixo de seu capacete flutuavam
His coal-black curls as on he rode, Seus cachos negros como carvão, enquanto cavalgava,
As he rode down to Camelot. Conforme cavalgava para Camelot.
From the bank and from the river Na margem e no rio
he flashed into the crystal mirror, Ele apareceu no espelho cristalino,
“Tirra Lirra,” by the river “Tirra lirra”, ao longo do rio
Sang Sir Lancelot. Cantou Sir Lancelot.
She left the web, she left the loom, Ela deixou o tecido, ela deixou o tear,
She made three paces thro’ the room, Ela deu três passos pelo quarto,
She saw the water-lily bloom, Ela viu o lírio aquático florescer,
She saw the helmet and the plume, Ela viu o elmo e a pluma,
She looked down to Camelot. Ela olhou para Camelot.
Out flew the web and floated wide; Para fora voou o tecido, flutuando para longe;
The mirror cracked from side to side; O espelho rachou de lado a lado;
“The curse is come upon me,” cried “A maldição caiu sobre mim”, chorou
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
In the stormy east-wind straining, Sob a força do tempestuoso vento leste,
The pale yellow woods were waning, Os pálidos bosques amarelos estavam minguando,
The broad stream in his banks complaining. O amplo riacho em suas margens reclamando.
Heavily the low sky raining Pesadamente o céu choveu
Over towered Camelot; Sobre as torres de Camelot;
Down she came and found a boat Ela desceu e encontrou um barco
Beneath a willow left afloat, Que flutuava sob um salgueiro,
And round about the prow she wrote E em volta da proa, ela escreveu
The Lady of Shalott A Dama de Shalott.
And down the river’s dim expanse E descendo o extenso e turvo rio
Like some bold seer in a trance, Como um audaz vidente, em transe,
Seeing all his own mischance - Vendo todo o seu próprio infortúnio -
With a glassy countenance Com um semblante vítreo
Did she look to Camelot. Ela olhou para Camelot.
And at the closing of the day E ao fim do dia
She loosed the chain and down she lay; Ela soltou as correntes e deitou-se;
The broad stream bore her far away, O amplo rio levou-a para longe,
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
Heard a carol, mournful, holy, Ouviu-se uma canção, fúnebre, sagrada,
Chanted loudly, chanted lowly, Cantada alto, cantada baixo,
Till her blood was frozen slowly, Até que o sangue dela fosse lentamente congelando,
And her eyes were darkened wholly, E seus olhos ficassem inteiramente escuros,
Turn’d to towered Camelot. Voltados para as torres de Camelot.
For ere she reach’d upon the tide Antes que com a maré ela alcançasse
The first house by the water-side, A primeira casa da costa,
Singing in her song she died, Cantando sua canção, ela morreu,
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
Under tower and balcony, Sob a torre e a sacada,
By garden-wall and gallery, Pelo muro do jardim e da galeria,
A gleaming shape she floated by, Ela flutuou, um vulto cintilante,
Dead-pale between the houses high, Uma palidez morta dentre as altas casas,
Silent into Camelot. Silencio em Camelot.
Out upon the wharfs they came, Ao cais, eles vieram,
Knight and burgher, lord and dame, Cavaleiro e burguês, lorde e dama,
And round the prow they read her name, E em volta da proa, eles leram o nome dela,
The Lady of Shalott. A Dama de Shalott.
Who is this? And what is here? Quem é esta? O que faz aqui?
And in the lighted palace near E no palácio iluminado nas proximidades
Died the sound of royal cheer; Morreu o som da celebração real;
And they crossed themselves for fear, E eles se benzeram, por medo,
All the knights at Camelot; Todos os Cavaleiros de Camelot;
But Lancelot mused a little space Mas Lancelot refletiu por um tempo,
He said, “She has a lovely face; Ele disse, “Ela tem uma face adorável;
God in his mercy lend her grace, Deus, em Sua misericórdia, empresta graça a ela,
The Lady of Shalott.” À Dama de Shalott.
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A dama Shalott observando Lancelot. Pintura de 1894, de Waterhouse

 

Veja a recitação do poema de Tennyson:

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