Meu amigo Hindu

Meu amigo Hindu

A equipe de Artelivre assistiu ao novo filme do cineasta Hector Babenco, que será lançado nos cinemas brasileiros no próximo dia 3 de março. Nós, de Artelivre, gostamos de textos instigantes e visões não óbvias da arte. Assim, preparamos dois textos sobre o filme: o do jornalista Denio Maués e do designer-escritor-sonhador profissional Branco Medeiros. O primeiro explica o filme com precisão, informando detalhes e bastidores, demorando-se nas falas do diretor e do elenco que traduzem as intenções de cada um na elaboração do filme. O segundo é a visão de um artista intenso e de aguda percepção. Divirta-se! Novo filme de Babenco flerta com a auto-ficção Denio Maués “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei”, diz a frase de abertura de “Meu amigo hindu”, novo longa-metragem de Hector Babenco, a ser lançado nos cinemas no dia 3 de março e apresentado à imprensa no último dia 23, em São Paulo. O protagonista Willem Dafoe interpreta Diego, um cineasta que descobre um câncer agressivo, experimenta a quimioterapia, faz um transplante de medula nos Estados Unidos e, curado, volta a trabalhar com o cinema. Esses e outros fatos estão relacionados à história de Babenco, ao lado de passagens ficcionais, o que coloca o filme na fronteira entre a autobiografia e a auto-ficção. “Meu amigo hindu”, que abriu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2015, é o primeiro longa-metragem de Babenco em oito anos, depois de “O passado” (2007). O cineasta não nega os aspectos autobiográficos, mas ressalta não ter escrito um filme para mostrar o que lhe aconteceu. “A autoajuda me envergonha. Deixo isso para as igrejas evangélicas”, dispara. O cineasta diz até ficar machucado quando consideram “Meu amigo hindu” como mera autobiografia. “Isso limita a obra. A leitura é tão maior”. O filme conta ainda no elenco com Maria Fernanda Cândido e Barbara Paz – presentes, assim como Dafoe, no lançamento para a imprensa – interpretando mulheres do cineasta Diego em diferentes fases de sua vida. Após descobrir a doença, Diego passa a encarar a morte de frente e toma algumas decisões antes de entrar na rotina hospitalar para o transplante: casa-se com a personagem de Maria Fernanda Cândido e despede-se dos amigos e familiares, sem abrir mão do humor ácido e de sua sinceridade corrosiva com todos. Ao longo da trajetória, o personagem de Dafoe separa-se da primeira mulher e casa-se com Sofia, papel de Barbara Paz. Aqui, novamente a auto-ficção irrompe com força: Barbara é mulher de Babenco na vida real e sua personagem é uma atriz que ganhou notoriedade ao participar de um reality show, o que embaralha ainda mais o jogo ficcional, pois Barbara, formada no teatro paulistano, chegou ao grande público em 2001, quando venceu o programa “Casa dos artistas”, no SBT. Como mais um exemplo da linha tênue entre ficção e realidade, Barbara Paz revela que a bela e última cena de “Meu amigo hindu” – em que a atriz dança na chuva, nua, numa citação ao…

A equipe de Artelivre assistiu ao novo filme do cineasta Hector Babenco, que será lançado nos cinemas brasileiros no próximo dia 3 de março. Nós, de Artelivre, gostamos de textos instigantes e visões não óbvias da arte. Assim, preparamos dois textos sobre o filme: o do jornalista Denio Maués e do designer-escritor-sonhador profissional Branco Medeiros. O primeiro explica o filme com precisão, informando detalhes e bastidores, demorando-se nas falas do diretor e elenco que traduzem as intenções de cada um na elaboração do filme. O segundo é a visão de um artista intenso e de aguda percepção.

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A equipe de Artelivre assistiu ao novo filme do cineasta Hector Babenco, que será lançado nos cinemas brasileiros no próximo dia 3 de março. Nós, de Artelivre, gostamos de textos instigantes e visões não óbvias da arte. Assim, preparamos dois textos sobre o filme: o do jornalista Denio Maués e do designer-escritor-sonhador profissional Branco Medeiros. O primeiro explica o filme com precisão, informando detalhes e bastidores, demorando-se nas falas do diretor e do elenco que traduzem as intenções de cada um na elaboração do filme. O segundo é a visão de um artista intenso e de aguda percepção. Divirta-se!

Novo filme de Babenco flerta com a auto-ficção

Denio Maués

“O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei”, diz a frase de abertura de “Meu amigo hindu”, novo longa-metragem de Hector Babenco, a ser lançado nos cinemas no dia 3 de março e apresentado à imprensa no último dia 23, em São Paulo. O protagonista Willem Dafoe interpreta Diego, um cineasta que descobre um câncer agressivo, experimenta a quimioterapia, faz um transplante de medula nos Estados Unidos e, curado, volta a trabalhar com o cinema. Esses e outros fatos estão relacionados à história de Babenco, ao lado de passagens ficcionais, o que coloca o filme na fronteira entre a autobiografia e a auto-ficção.

“Meu amigo hindu”, que abriu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2015, é o primeiro longa-metragem de Babenco em oito anos, depois de “O passado” (2007). O cineasta não nega os aspectos autobiográficos, mas ressalta não ter escrito um filme para mostrar o que lhe aconteceu. “A autoajuda me envergonha. Deixo isso para as igrejas evangélicas”, dispara. O cineasta diz até ficar machucado quando consideram “Meu amigo hindu” como mera autobiografia. “Isso limita a obra. A leitura é tão maior”.

O filme conta ainda no elenco com Maria Fernanda Cândido e Barbara Paz – presentes, assim como Dafoe, no lançamento para a imprensa – interpretando mulheres do cineasta Diego em diferentes fases de sua vida. Após descobrir a doença, Diego passa a encarar a morte de frente e toma algumas decisões antes de entrar na rotina hospitalar para o transplante: casa-se com a personagem de Maria Fernanda Cândido e despede-se dos amigos e familiares, sem abrir mão do humor ácido e de sua sinceridade corrosiva com todos.

Ao longo da trajetória, o personagem de Dafoe separa-se da primeira mulher e casa-se com Sofia, papel de Barbara Paz. Aqui, novamente a auto-ficção irrompe com força: Barbara é mulher de Babenco na vida real e sua personagem é uma atriz que ganhou notoriedade ao participar de um reality show, o que embaralha ainda mais o jogo ficcional, pois Barbara, formada no teatro paulistano, chegou ao grande público em 2001, quando venceu o programa “Casa dos artistas”, no SBT.

Como mais um exemplo da linha tênue entre ficção e realidade, Barbara Paz revela que a bela e última cena de “Meu amigo hindu” – em que a atriz dança na chuva, nua, numa citação ao clássico “Cantando na chuva” – aconteceu realmente, há cinco anos. “O Hector disse: ‘Esse é o final do meu próximo filme”. Babenco admite: “Escrevi uma ficção com o final pronto: tinha uma declaração de morte e tinha, em uma mulher, uma declaração de amor à vida”.

“O filme do Babenco vai na contramão, não é só entretenimento, não é uma comédia romântica medíocre. É um filme de autor. Tem a ver com a insistência da nossa geração de fazer algo relevante”, defende o cineasta Arnaldo Jabor, que mediou a coletiva de imprensa.

Em inglês

Com exceção de Willem Dafoe, o elenco de “Meu amigo hindu” é todo composto por brasileiros. Além de Maria Fernanda e Barbara, estão Selton Mello, Guilherme Weber, Denise Weinberg, Reynaldo Gianecchini, Vera Valdez e, em papéis menores, Dan Stulbach, Dalton Vigh e Maitê Proença. Ainda assim, a produção foi toda filmada em inglês.

Babenco revela que, em 2014, “Meu amigo hindu” estava estruturado em português, mas teve imensa dificuldade para encontrar o ator protagonista: todos os que escolhera estavam já comprometidos com projetos a longo prazo, na TV, no teatro ou mesmo no cinema. “Fiquei agoniado. Estou numa idade que não poderia esperar dois anos para filmar. Daí, fui ver Bob Wilson (naquele ano, o diretor norteamericano estava em São Paulo com a peça “The old woman – A velha”, com Willem Dafoe e o bailarino Mikhail Baryshnikov). Depois, saímos para jantar e conversamos. Dafoe aceitou o convite para o filme e, assim, ele teve de ser feito em inglês”.

Dafoe afirma que aceitou o convite, pois considerou o roteiro “muito forte”. Além disso, para ele, foi uma grande oportunidade de filmar com o diretor de “Ironweed” e “O beijo da mulher aranha”: “Queria trabalhar com Babenco e gostei da história. Expressa um amor pelo cinema e pela vida”, resumiu.

Para Maria Fernanda Cândido, atuar em inglês “é desafiador, por não estar no conforto do seu idioma, mas não é um empecilho”. Já Barbara Paz, que admite ter estudado o idioma com mais dedicação para rodar o filme, achou positivo o “distanciamento” que o inglês lhe possibilitou em relação a sua personagem, tão próxima a ela. “É muito difícil fazer a sua vida ficcionada”, avalia. Ela também ressaltou a parceria com Dafoe: “Ele teve calma (em relação ao idioma) e nos ajudou sempre”.

Morte

As cenas do tratamento médico do personagem de Willem Dafoe, filmadas no hospital Sírio-Libanês, ocupam boa parte do longa-metragem. Como em outros trabalhos, o ator não poupou esforços para entrar na pele do cineasta Diego e aparece careca e bem debilitado durante a fase entre a quimioterapia e o transplante. “Meu objetivo, como ator, era ajudar Babenco a fazer o que ele queria”, disse Dafoe.

Um dos personagens mais instigantes do roteiro é o da Morte, interpretado por Selton Mello. Com diálogos inteligentes e sarcásticos, o personagem aparece algumas vezes para Dafoe, no hospital, com o intuito de vir buscá-lo, e recebe o pedido do cineasta para que o deixe ficar mais um pouco na Terra, pois pretende ainda fazer mais um filme. É nesse período no hospital que Diego conhece um menino hindu, de quem se torna amigo. Diego passa a dividir com o garoto histórias e fantasias relacionadas ao cinema e, assim, compensa brevemente os momentos de dor. Um dia, o menino não aparece mais no hospital.

“Escrever essa história foi um ato compulsivo, mas não procurei uma salvaguarda pro narcisismo”, afirma Babenco, que já prepara seu próximo filme (“Cidade maravilhosa”) e ressalta seu amor incondicional pela arte que escolheu: “O cinema foi a primeira bactéria a se instalar em mim e ela não parou de crescer e me pedir coisas novas. Ela caminha dentro de mim. O cinema é o meu inconsciente. Sem o cinema, eu seria um vegetal”.

 

Meu amigo hindu – ou minha namorada brasileira (um filme comercial de autor)

Branco Medeiros

A primeira cena do filme é uma mulher seminua, dançando na chuva. Uma chuva torrencial, redentora, enquanto ela, vestida apenas numa blusa transparente, executa à perfeição os passos de “I’m singing in the rain”. É uma imagem estonteante, e logo você não presta mais tanta atenção às curvas, aos pelos, aos peitos, e vê apenas a dança, o flerte com a câmera, que representa o olhar de Diego, o protagonista. Isso logo na primeira cena!

Ou não, acho que me enganei. A primeira cena do filme foi perdida por algum problema técnico que sobrepôs o início do filme à vinheta da Allianz, de modo que a única coisa inteligível no emaranhado de imagens era a frase “Em caso de incêndio, torneiras de água serão acionadas”. Os convivas sapatearam, apuparam, bateram palmas e finalmente o operador subiu e desembaraçou as imagens. Mas o início do filme, 30 segundos, se tanto, foram perdidos. Eu que sou avesso a cortes nas obras alheias – qualquer corte – achei aquilo inaceitável.

Mas a vida segue e o filme idem. Um William Dafoe magérrimo, depauperado, careca, tristemente doente levanta da cama onde ressona Maria Fernanda Cândido, arrasta-se com dificuldade até o banheiro e, olhando-nos através do espelho, pergunta-se (nos): “What have I done?”. Ficamos sem saber a resposta a essa pergunta. Mas a resposta é irrelevante. O importante era a pergunta. Que crime, que ato terrível, teria cometido aquele homem angustiado que aparentemente fez descer sobre ele toda a culpa humanamente suportável? Isso, amigos, era William Dafoe, em meros segundos de filme abrindo sob nosso olhar toda uma gama de abismos possíveis.

A dúvida se perde diante de fatos mais importantes. Vemos o Dr. Dráusio Varela, representado por Gianecchini, anunciando gravemente que, devido ao recrudescimento do câncer que combate há assustadores dez anos, William “Diego” Dafoe necessita de um transplante de medula. É isso ou dois – no máximo três – meses de vida.

É então que você percebe: Gianecchini está falando em inglês. E num instante, você que estava ali agoniado diante das ramificações tenebrosas das notícias recentes, encontra-se inesperadamente dentro de uma sala de cinema tentando entender como foi que chegou ali.

Esse efeito de extrair o sujeito do filme, uma inversão perversa da tal “suspension of disbelief” irá nos acompanhar filme adentro, história adiante, sempre que os (na minha opinião, incríveis) atores brasileiros enunciarem suas falas. É o sotaque, o ritmo, a entonação, alguma coisa que não encaixa.

Babenco justificou a escolha do idioma como uma consequência natural da presença de William Dafoe no elenco. Bem que ele havia tentado outros atores brasileiros para representar seu alter-ego, mas havia toda uma sorte de conflitos que iriam protelar o filme ao menos dois anos, na melhor das hipóteses. E Babenco é um homem que tem pressa, e não tem dois anos ao seu dispor. Por isso, quando Dafoe leu o roteiro, num prosaico jantar em São Paulo, e disse “sim” (na verdade, “absolutelly”) a escolha pelo idioma dos personagens foi selada. A partir de então, os (maravilhosos) atores e atrizes brasileiros tiveram que se engalfinhar não apenas com as nuances de seus personagens e seus dramas, mas também com as nuances da língua que alguns dominavam mais, outros menos e outros, definitivamente, não. Talvez isso não seja empecilho para um grande público. Além do mais, há também a versão dublada, em que, num processo inédito, todos os atores dublam a si mesmos – com exceção de William Dafoe, é claro, dublado por Marco Ricca.

William Dafoe ditou mais que o idioma do filme. Estabeleceu também um ritmo algo alucinado ao seu Diego, fez-nos crer ser real e inexorável o redemoinho que o leva cada vez mais profundamente ao limiar de sua angústia, a uma descida aparentemente sem volta ao encontro de um destino que se impõe a ele apesar de qualquer escolha que venha a fazer.

Mesmo contracenando com (volto a dizer, soberbos) atores brasileiros que precisavam inventar uma fidedignidade que muitas vezes, compreensivelmente, lhes escapava, mas que, até por isso mesmo, fazia suas performances se tornarem mais tocantes (estou olhando pra você, Bárbara Paz) William Dafoe era, desde o momento zero, o fio condutor – em curto circuito – do filme.

Ele inventa um Babenco, perdão, Diego, crível, incrível, assustado, assustador, transtornado, transformado pela doença e pela reação de seus pares (e ímpares) a ela. No auge de sua dor e delírio, traz à cena a morte e argumenta, contracena, pede mais tempo. Em vez de inflexível, a morte tolera, pondera, diverte-se, quem sabe ceda, quem sabe.

Se William Dafoe é uma tempestade, Babenco é o capitão, por vezes pretensioso, outras vezes genial, por vezes inesperado, outras vezes preciso (“careta”, diz Dênio Maués). Babenco insiste que não é um filme autobiográfico, mas autoficcional. Algumas situações são tão inusitadas – caso biográficas – que William Dafoe confessa ter abordado Babenco, por vezes incrédulo: “Did this really happen!?”, ao que Babenco respondia, “Você que é o Diego, you tell me.”

Existem realmente muitas coisas ali que cheirariam a inventadas, se fosse um filme autobiográfico. Bem inventadas, entenda-se. O menino hindu me pareceu uma delas. Em um filme que se tornaria exaustivo sem sua presença, o menino hindu surge como um momento lírico tecnicamente necessário, um recurso narrativo já utilizado em um sem número de filmes, mas que ainda assim funciona e suaviza a trajetória descendente de Diego, permite ao personagem mostrar que não é só arestas, protuberâncias, gritos de dor. Há uma suavidade ali, alcançável pelos que a mereçam. Por outro lado, o menino hindu não transforma Diego, ou, se o fez, Diego não demonstra. Chega um momento em que o menino hindu se perde completamente, deixando a impressão de ter sido apenas um momento de fofura necessário à viabilidade comercial do filme. Minha opinião, claro. A Déia, minha namorada,discorda. Mas veja bem, o aspecto comercial do menino hindu não é necessariamente um mal. Algumas narrativas realmente precisam de um menino hindu (e do pai do menino hindu) para nos redimir. Mas todos nós entendemos que qualquer filme é um investimento comercial. Ao ser perguntado se ficaria chateado caso as pessoas vissem o filme como uma obra autobiográfica de autoajuda, Babenco não se deu por ofendido: “Só vou ficar chateado se as pessoas não pagarem pra ver o filme. Se pagarem só meia, vou ficar só meio chateado”.

Com todo seu sarcasmo argentino, o mal-bem-humorado Babenco é uma delícia de se ouvir, seja através de Diego, seja ali ao vivo, na coletiva de imprensa. Alguém argumenta que são as memórias que nos mantém vivos. Babenco esclarece que o que nos mantém vivos são os remédios. Parece ter uma fonte de criatividade inesgotável. Os momentos mais líricos e os mais profundos do filme atestam isso.

“O melhor desse filme”, eu penso, “são as coisas inventadas”. A morte. O menino hindu e seu pai. A mulher seminua dançando na chuva. Mas não, estou enganado de novo. Bárbara Paz: “Há uns cinco anos estávamos na praia, Babenco e eu, sozinhos. Ele estava bastante febril e eu preocupada, dancei nua por uma hora e meia na chuva pra que ele melhorasse. E ele disse que aquilo seria a última cena de seu próximo filme”. “Eu disse isso?”, pergunta o argentino Babenco. “Disse”. No final das contas, foi mesmo assim que esse filme começou. A namorada brasileira dançando na chuva. Talvez a cena mais linda do filme.

 

SERVIÇO:

“Meu amigo hindu”, de Hector Babenco.

Lançamento nacional: 03 de março de 2016

Elenco: Willem Dafoe, Barbara Paz, Maria Fernanda Cândido, Denise Weinberg, Selton Mello, Vera Valdez, Guilherme Weber, Reynaldo Gianecchini, Dan Stulbach, Maitê Proença, Dalton Vigh e grande elenco.

Produção: HB Filmes

 

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