Orlando Morais

Orlando Morais

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Às margens do Lago Paranoá, músicos de quatro continentes se unirão para um show que promete encantamento. O projeto é do cantor Orlando Morais, que convidou um grupo de músicos de vários países para a apresentação em Brasília no domingo , dia 15 de maio, às 17h, na Concha Acústica. Com abertura da Orquestra Filarmônica, o show faz parte da turnê Orla Mundo que também passará pelo Rio de Janeiro e por Goiânia.
Todos os shows são gratuitos. Em Brasília, a equipe organizadora vai receber doações de agasalhos no dia da apresentação. As peças recebidas serão destinadas ao projeto The Street Store Brasília ─ loja de rua sem fins lucrativos com objetivo reunir e doar produtos para pessoas desfavorecidas.

Depois de três anos, Orlando Morais volta à capital para apresentar um repertório inédito. “Desde que gravei o DVD em 2013, na beira do lago, tinha o desejo de desenvolver algo por aqui. Assim, começamos a pensar no projeto”, explica. Os músicos que integram o show são: Kassé Mady Diabaté, Matthieu Rabaté, Moussa Koita, Regis Gizavo, Jean Lamoot, Raphael Thuia, Guo Gan e as Irmãs Caronni.

Rivière Noire, último disco do Orlando Morais, foi a inspiração para o projeto (leia a crítica abaixo). O trabalho em conjunto com Jean Lamoot e Pascal Danaé rendeu prêmiosna Europa e apresentou a nova música africana ao músico brasileiro. Com estúdio de gravação em Paris, o contato com artistas do mundo todo se intensificou: “A cada nova descoberta musical as possibilidades sonoras aumentavam. Cantei com gente do mundo inteiro, com artistas que vão da China a Madagascar, e franceses muito conhecidos. Isso me deu oportunidade de criar um diálogo, algo de que eu sempre gostei”, afirma Orlando.

CRÍTICA

Um álbum raro e surpreendente

Alexandre Zaghetto

A música de Orlando Morais em Rivière Noire não é trilha sonora, não é fundo musical, não é acessório: é a coisa em si. E é surpreendente no sentido literal da expressão. Quando começa, você se surpreende com a suavidade e o timbre da voz do cantor. Quando você acha que começou a entender o que está acontecendo, começa a se envolver com o sentimento do coração que “bate longe” e que conduz as palavras cantadas.

Os instrumentos em seguida vão transportando o ouvinte para algum lugar que você estranhamente parece conhecer, talvez por estarem vibrando em uníssono com o desejo que todos temos de viver uma vida  livre de tanto sofrimento. Um instrumento não atropela o outro. Expressam-se todos com clareza. Cada um tem seu papel, que é cumprindo com competência e respeito aos demais.

Repentinamente, uma nova voz, mais forte, irrompe e lhe traz de volta, realçando o que antes era apenas suavidade. O contraste surpreende. Você não sabe qual é o idioma dessa segunda voz, nem entende o que está sendo cantado, mas tem a impressão de que ela manifesta uma certa angústia.

Nesse ponto, a experiência já deixou de ser apenas auditiva. Já não estamos falando apenas de música, mas da manifestação de algo mais essencial que foi desencadeado pelo estímulo auditivo. As duas vozes conversam: uma, suave e melancólica; a outra, enérgica e angustiada. Apesar de estarem falando idiomas diferentes, parece que estão se compreendendo em um outro nível de comunicação e de lá são capazes de permanecerem juntas, dando suporte uma à outra até que gradativamente, o sofrimento que as colocou em movimento é aliviado e, junto com os instrumentos, vão silenciado como se tivessem adormecido após a tristeza tê-las esgotado. Permanecem reverberando em nós por um bom tempo o que acaba de acontecer até que voltamos gradativamente e começamos a sentir o desejo de escutar a próxima música.

Ao contrário do que acontece com muitos músicos, Orlando Morais parece ter amadurecido sua música ao longo do tempo. As composições atuais parecem mais ricas que as antigas. E não é simplesmente aquela riqueza forçada do querer ser diferente. É uma riqueza espontânea, natural, prazerosa.
Enfim, um álbum à moda antiga, no sentido de que é possível ouvi-lo do começo ao fim, deliciando-se com cada nova faixa descoberta. Encantador.

ORLANDO MORAIS: Longe dos mega-eventos

Compositor, instrumentista e arranjador, Orlando Morais apostou em um caminho fora dos mega eventos e da pressão das gravadoras. Ao longo de mais de 20 anos, construiu uma carreira de renome internacional, principalmente entre o Brasil e a França, sem abrir mão da espontaneidade, do instinto artístico e de uma visão de mundo muito particular, doce e serena, quase utópica em sua opção pela poesia e pela emoção. “Seu coração deve falar mais alto que a cabeça. O artista deve ir para dentro de si mesmo”, afirma.

Em 2015, foi vencedor do 30.° Prêmio Victoire de la Musique, o Grammy Europeu, de melhor álbum mundial com o álbum Rivière Noire. O disco nasceu em Paris, do encontro entre Orlando, o baixista francês Jean Lamoot e o guitarrista guadalupense Pascal Danaé. Ao lado de músicos do Mali, na África Ocidental, gravaram repertório inédito em show às margens do Lago Paranoá, Brasília. O resultado transpira paixão e uma beleza quase transcendental, além de intenso respeito à ancestral cultura do país africano.

Em 2015, Rivière Noire ganhou o prêmio German Record Critic’s, uma das mais importantes premiações da Alemanha.

Orlando tem composições com mais de 300 artistas do mundo todo. Já tocou com Sting e Peter Gabriel, mas faz questão de manter a simplicidade de goiano do interior. Sem almejar o sucesso como principal objetivo, conquistou, depois de 25 anos de carreira, um patamar que poucos alcançam no Brasil e hoje integra o hall de artistas brasileiros que têm reconhecimento nacional e internacional.

Com apenas quatro anos Orlando aprendeu a tocar piano de ouvido. Não imaginava que a música teria força capaz de guiá-lo tão longe. “A música me salvou. Aos 12 anos, comecei a achar a vida chata, a ponto de pensar em morrer. Não tinha ambiente musical para mim na minha cidade. Isso mudou depois que ouvi pela primeira vez Luiz Gonzaga. Fiquei fascinado. Percebi que a música poderia ser muito mais do que eu pensava”, conta.

O artista há oito anos, tem trabalhado intensamente na França. Em Paris, Orlando Morais entrou em contato artistas de vários países. “Esse tempo todo que passei em contato com a música do mundo cantei com muita gente. Foram 256 composições com 80 artistas, que vão da China a Madagascar. Isso me deu oportunidade de criar um diálogo, algo de que eu sempre gostei”, conta o instrumentista.

Assista a alguns trechos da deliciosa entrevista de Orlando Morais, onde o artista se mostra em sua encantadora espontaneidade:

 

Serviço

Orla Mundo, com Orlando Morais e músicos internacionais
Dia: 15 de maio
Horário: 17 h
Local: Concha Acústica (SHTN Vila Planalto, Orla do Lago Paranoá)
Entrada gratuita
Doações: Agasalhos

 

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