Morre o poeta Leonard Cohen

Morre o poeta Leonard Cohen

Sonia Zaghetto

Calou-se a voz profunda e pacificadora de Leonard Cohen. O poeta e cantor canadense morreu ontem (10/11) aos 82 anos, de causas não reveladas. O anúncio do falecimento foi feito pela família do artista em sua página no Facebook.

Com profunda tristeza informamos que o lendário poeta, músico, compositor e artista Leonard Cohen faleceu. Perdemos um dos mais prolíficos e reverenciados visionários da música. Um funeral será realizado em Los Angeles posteriormente. A família pede privacidade durante seu momento de dor“.

Desaparece a figura longilínea, com seu chapéu Fedora, fina elegância e timbre hipnotizante. Um grande poeta que morre deixa abismos de dor no coração dos amantes da arte.  No caso de Cohen, há uma lágrima extra por não mais haver a possibilidade de ouvir ao vivo a voz rouca, que asserena a alma. Quando ele cantava, enchia-se o ar com algo indefinível, vindo de noites perfumadas, que evocava imensas árvores, tempos imemoriais, atmosferas de sonho e um gosto de vinho. Uma voz antiga, sensual, profundamente amante, muito íntima. Telúrica e aconchegante – a voz de Cohen.

Personagem destacado da arte contemporânea, Cohen lançou You Want It Darker, seu último álbum, há apenas um mês. Um inegável tom de despedida permeava tudo e anunciava a partida, como também fez David Bowie em seu testamento musical. Entre murmúrios, duas repetições – a frase  I’m ready, my Lord (Estou pronto, meu senhor) e a expressão hebraica Hineni (Aqui estou, Senhor, em seu sentido mais espiritual) – tinham algo de Tagore e uma ligação com a mais famosa de suas canções: Hallelujah. 

Epitáfio poético de um gênio artístico, sussurrado por ele mesmo nos ouvidos da gente. Menos de um mês antes de morrer, Cohen concedeu uma de suas melhores entrevistas, ao jornalista David Remnickm, da revista The New Yorker. Impossível não se emocionar.

Nascido em Montreal, no Canadá, em 1934, Cohen cresceu em uma família judia. Estreou na vida artística como poeta, publicou livros de densa beleza e compôs canções icônicas, como Suzanne, Hallelujah, So Long, Marianne, Bird on the Wire, Ain’t No Cure for Love, Famous Blue Raincoat e Dance Me to the End of Love.

cohen2Nunca foi fácil ser Cohen. A criatividade transbordante e a carreira artística laureada alternaram-se com episódios de intenso sofrimento, síndrome do pânico, alcoolismo e abuso de antidepressivos. A paz veio no monastério zen budista de Mount Baldy.

Depois de ser arruinado por seu representante Kelly Lynch, iniciou uma longa jornada de volta aos palcos,  aos 70 anos de idade. Reergueu-se, fez magníficos shows, lançou novos trabalhos e agora partiu, apenas três meses depois de sua eterna musa Marianne Ihlen. O trovador seguiu seu caminho. Ou sua musa. Possivelmente enquanto escrevo isso, estão novamente, jovens e risonhos, olhando as águas de safira do mar Egeu.

Deste lado da vida, a nós que ficamo,s resta a voz grave de uma lenda, que ainda cantarola os versos de Slow, de seu álbum-despedida: “I’m slowing down the tune (…) So baby let me go,  You’re wanted back in town, In case they want to know, I’m just trying to slow it down“.

Silêncio.

Saiba mais sobre Leonard Cohen:

Biografia

Página Pessoal

Halellujah e outras nove músicas icônicas de Cohen

Leonard e a morte de Marianne

A melhor entrevista: ao jornalista David Remnickm, da revista The New Yorker. (em inglês)

Clássicas fotos de Leonard Cohen, pelo fotógrafo Michael Putland

Ouça Cohen:

Hallelujah

You Want It Darker

 

Bird on the Wire

In My Secret Life

Dance Me to the End of Love

So Long, Marianne

Suzanne

 

 

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